domingo, 24 de março de 2013

ENQUANTO ISSO UMA JORNALISTA MORALIZADORA.



Antonia Sheiroazedo é uma famosa jornalista.  Desde cedo aprendeu a chantagear o pai se fazendo de boa moça.  Morava no interior e vivia criticando suas amigas, apesar de não perder a chance de roubar o namorado alheio.  Rainha da fofoca, desenvolveu um vocabulário peçonhento que conquistava a todos pela sua ousadia verborrágica.

O pai, mesmo pobre,  cedeu as pressões da filha para manda-la estudar na capital.  Antonia Sheiroazedo já sabia o que queria:  jornalismo.  Desde cedo pensava numa profissão que pudesse exercer três grandes funções:  manipular, inventar e vender notícias verdadeiras e falsas.  Pensou também em Ciências Sociais por causa do presidente FHC e também em Direito.  Embora nenhum curso seja terrível como ela queria, qualquer um poderia ser usado para suas artimanhas. No dia da formatura, enquanto todos juravam coisas éticas da Comunicação Social, Antonia Sheirozedo só pensava em como ganhar dinheiro às custas dos babacas que acreditariam nas suas lições de moral.

Depois de formada, ela logo aprendeu a se locupletar das tetas da vaca do Governo.  Trabalhando num jornal, começou a arte da babação:  fez um curso com um calunista social.  Neste curso, ela aprendeu como se aproveitar de alpinistas sociais, novos ricos, mulheres fúteis, beldades botocadas, políticos decadentes.   Depois Antonia Sheirozedo foi trabalhar numa redação.  Escrevia bem a moça.  Mas ela descobriu que a babação não era a melhor forma de se dar bem.  Havia outra mais eficiente:  a invenção moralista.  Começou a escrever sobre corrupção dos políticos sem citar nomes.  Dois terços dos políticos locais vestiram a carapuça e começaram a chamar Antonia Sheirozedo para festinhas e bailes.  Os juízes também caíram na onda moralizante dela.  Foi contratada por uma instituição para falar bem dela. 

Logo que começou a chamar atenção foi contratada para a TV.  Foi aí que Antonia Sheirozedo ganhou os píncaros da fama.  Sua técnica consiste em fazer carão e falar grosso dando lição de moral enquanto apresenta a notícia. Apesar de tanta moralidade, manteve o emprego público, recebendo sem trabalhar...

A apresentadora escolhe a notícia e manipula, inventa e elabora um discurso bem moralista sobre o tema, na onda do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.   Sua tática consiste em pegar um tema polêmico e emitir uma opinião que agrade a uma parte da população que também não entende nada. Patrocina as causas conservadoras com seu discurso perfeitinho.  Une-se a liberais e conservadores na mesma proporção em que fala mal deles. Tentou ir ao carnaval da Bahia de graça e ninguém a aceitou.  Fez um editorial metendo pau no carnaval. Queria passar férias num resort sem pagar nada, não foi aceita, fez um editorial lascando o resort por questões ambientais.  Queria abatimento de 70% para ela e sua família num shopping, não conseguiu e fez uma matéria sobre as deficiências na segurança das lojas.  Usa cara feia, fala quase se esgoelando, arregalando os olhos. 

Parte de sua moralidade vem de chantagens. Aprendeu que o péssimo jornalismo consiste na manipulação de notícias mostradas de maneira “isenta” e “neutra”.  Com sua bravura, faz com que as pessoas não se importem em verificar a notícia, como ela foi produzida, onde está sendo veiculada.  Atualmente está conspirando com grupos religiosos, defendendo pastores fundamentalistas e se vingando de uma clínica que não aceitou fazer uma plástica facial total de graça.  Botox, cara feia, voz de gralha, moralidade e histeria são as categorias prediletas de Sheiroazedo.

Drink para assistir o jornal:
Qualquer bebida
Um mp3 no último volume ou a TV no mute

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