segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ENQUANTO ISSO ENTRE OS ATIVISTAS PRÓ ANIMAIS...




Mary Shiva e Eduardo Gandi são ativistas pró-animais.  Distribuem ração para os gatos do CCHLA,  os quais eles recolhem nas ruas e jogam nos vários centros da UFPB.  Edu Gandi ganhou uma caminhoneta cabine dupla responsável pelo aumento da poluição no planeta e Mary Shiva só usa calçados de couro legítimo de jacaré papo-amarelo do Pantanal.
O jovem casal resolveu chamar os amigos ativistas para invadir uma indústria farmacêutica em Mangabeira, acusada de usar cães da raça Shytso para pesquisas com xampu.    Com a moda de cabelos chapados, a indústria estava testando um xampu que encaracola os cabelos nos pequenos cães. Via facebook, Carol Xucuri Gauiopé e Émerson Guarani Tupi Açu mandaram fazer faixas de plástico e tinta não biodegradável altamente poluente para um protesto em frente à indústria. Como eles iriam ficar a noite inteira em vigília, providenciaram chocolates suíços feitos com mão-de-obra escrava da Bahia e muita água mineral provinda de uma mina que devastou mais de 100 hectares de floresta nativa.
Os jovens ativistas, durante a vigília, passaram a consumir maconha comprada a meninos pobres de uma favela vizinha, mas com a garantia que era orgânica.   Misturaram com comprimidos de extasy trazidos na última viagem à Disney e quando a coisa bateu, decidiram invadir a indústria farmacêutica e soltar os pobres shytsos vítimas de maus tratos.  Arrobaram as portas enquanto filmavam tudo com seus iphones produzidos por semi-escravos de Taiwan e Coreia. Como os cães eram de uma raça cara, decidiram não jogar na UFPB e sim vender a maior parte em pet shops de ricos para arrecadar fundos em prol da sua nobre causa.
Uma menina do bairro que ia passando na hora da invasão, avisou ao grupo que havia outra fábrica de produtos farmacêuticos que usavam cães vira-latas nos seus experimentos.   O grupo fez uma rápida assembleia, mas decidiram não invadir esta outra indústria, uma vez que na falta de testes em bandidos, os vira-latas poderiam ser uma boa solução.
Mary Shiva chegou em casa descabelada com dois shytos.  Tirou a roupa suja e deixou jogada no banheiro para a empregada lavar no dia seguinte.  Os cães assustados sujaram toda a casa e a empregada teve que trabalhar além da conta para limpar toda a sujeira, embora a mãe de Mary já alertasse que não iria pagar hora extra, pois a empregada estava enrolando e se distraindo com os cães ao invés de limpar, lavar, aspirar, passar, cozinhar, lustrar e encerar. Mary Shiva acordou depois do meio dia, foi direto para o facebook e de lá gritou para a empregada trazer seu almoço no quarto.  A invasão foi um sucesso!
Edu Gandi, cansado da empreitada, deu um pulinho na rua da Areia para relaxar nos braços de alguma garota de programa.  Transou com uma menina pobre de 17 anos, mas não pagou porque só tinha cartão de crédito. Mas em troca, deu um shytso para a menina, a qual foi presa por roubo de animais.  Temendo represálias da polícia, jogou parte dos banners na via pública.  Bateu uma certa neurose, e Eduardo Gandi foi a um bairro pobre comprar mais maconha.  Como não tinha grana, trocou seus tênis de marca produzidos com mão-de-obra escrava, uma corrente de ouro obtido de garimpo ilegal que poluiu um rio com mercúrio, por meio quilo de marijuana.  O traficante viu um shytso no carro e ofereceu mais meio quilo da droga pelo animal recém libertado do cativeiro.  No dia seguinte, a filha do traficante foi espancada por policiais para confessar onde estavam os outros cães roubados na invasão.
Assim mais uma ação de sucesso foi feita pelo grupo que ama os animais sobre todas as coisas.  Assim, continuaram a morrer crianças escravas, meninos do tráfico, e outras pessoas inferiores aos belos cães de raça...

Drink ativismo pró-animal:
1 dose de whysky feito de centeio orgânico (cultivado por trabalhadores semi-escavos)
1  copo de água de côco (de coqueirais cultivados com adubos altamente poluentes)
Gelo à vontade (produzido por máquinas que usam gás freon, altamente corrosivo da camada de ozônio)

domingo, 2 de junho de 2013

ENQUANTO ISSO NUMA CORRIDA...



Marielly Cassimiro entrou de vez na onda correr e pedalar. Filha de um traficante de medicamentos, viu sua vida mudar rapidamente quando veio morar na capital. Acostumada a brincar num terreiro de barro batido, agora ela mora numa cobertura à beira-mar.  Mas ainda não entende porque as pessoas do prédio não falam com  ela e nem com sua família...

Mari arranjou uma amiga que é filha de um calunista social.  A menina aprendeu com o pai toda a arte da trambicagem do alpinismo social.  Esta arte consiste em sugar ao máximo a grana de novos ricos que almejam ser gente no meio social da cidade.  Luíra começou então  a dar aulas de etiqueta social a Marielly, agora conhecida como Mari.

A primeira aula era como entrar nas redes sociais.  Mari tinha Orkut, mas Luíra cancelou esta conta e fez um facebook  pra ela.  Juntas foram a um shopping comprar um iphone para que ela postasse as fotos no instagram.  Luíra não se fez de rogada e comprou um iphone 5 na conta da bobinha.  Mari queria ir a um filme 3D.  Comprou o ingresso para Luíra e foram.  As primeiras postagens do facebook de Mari foram fotos e mais fotos tiradas no cinema com os óculos 3D pra mandar pras amigas de Pau d´Alho.  Depois do cinema, pra fazer mais uma boquinha gratuita, Luíra levou  Mari pra um restaurante japonês.  Mari detestou.  Só pensava no cuscuz com carne de sol e inhame com graxa.  Achou muito estranho ter que comer com espetinhos de churrasco.  Achou muito mais estranho comer peixe cru.  Então, colocou  um monte de salmão, polvo, linguado e  atum no prato e levou para a sessão de massas.  Chegando lá pediu para que o cozinheiro assasse a peixada completa.  Misturou com macarrão, colocou molho à bolonhesa e misturou com uma picanha bem passada.  Achou bacana um restaurante com tanta variedade...   A dificuldade mesmo foi na hora de usar o hashi. Luíra estava comendo uma folha de alface e um sashimi por causa da dieta, usando um hashi amarrado com elástico.  Mari não entendeu nada.  Na terra dela,  pinça era feita de metal e não servia pra comer carne.  Ficou puta porque não conseguia pegar o macarrão com o hashi.  Por isso Luíra era tão magrinha, pensou.  Saiu do restaurante se tremendo de fome e se fartou num espetinho logo em frente ao famoso restaurante.

O sonho de Luíra era fazer um book em Londres para colocar nos outdoors da cidade.  Já tinha morado no Canadá onde trabalhava de copeira num hotel da periferia de Montreal.  Mas Mari tinha 17, como fazer um book de debutantes? Mas o pai de Luíra, famoso calunista social, inventou pra família de Mari  que era a última moda em Miami comemorar aniversário de pré-dezoito anos.  Mais sabido do que o calunista, seu Zeca de Cassimiro, de longa jornada na bandidagem,  não aceitou a proposta.

Mesmo assim, Luíra queria se dar bem com a grana de Mari.  Disse à menina que a moda agora era correr em maratonas e pedalar.  Na corrida, o lucro seria pequeno, mas no pedal...  Levou Mari a uma loja de bicicletas.  O dono da loja, conhecido por traficar peças do Paraguay, apresentou a Mari o que ele tinha de mais caro.  Mari queria uma caloi.  O vendedor fez um belo discurso sobre a bike (bicicleta é coisa de pobre da construção civil) importada, os arcos, os pneus, os freios, as marchas, o suporte para carro, as luvas, o capacete, o sapato, a roupa, os equipamentos para consertar pneus furados, os equipamentos de água, tudo...  Luíra combinou com o dono da loja racharem os lucros dos equipamentos comprados por Mari.  O rapaz enrolou Luíra e nunca pagou seus 10%.  Logo depois das compras foram para o Cabo Branco inaugurar a bike.  Mari se achou meio ridícula com aquela roupinha apertadinha e aquele capacete que mais parecia o ET de Alien, o oitavo passageiro.  Após 3 quedas e a completa invisibilidade, Mari desistiu do pedal.  Não entendi porque seu pai tinha que colar um adesivo de “Respeite o ciclista, distância de 1,5m”  se a maioria dos donos de caminhoneta atropelavam os ciclistas de bike sem grife, ou seja, os pobres que usam a bicicleta como meio de subsistência.
Descontente com a bike,  resolveu ingressar num seleto grupo de corredores.  A febre era corrida: corrida em Recife, meia maratona do Rio, maratoninha de São Paulo, corrida da melhor idade, corrida “Salve as Baleias”, corrida pelo fim da violência nas corridas...  Os corredores sempre se reuniam para comer numa lanchonete que só servia coisas detestáveis.  Todo mundo só falava num tal de açaí na tigela, um sorvete sem gosto de uma fruta sem gosto, comido com uma farofa sem gosto.  Ainda bem que tinha uma bananinha picada pra disfarçar. Fora uma comida chamada vegana.  Vários ciclistas adoravam comer um pastel tipo “bate entope” sem gosto de nada acompanhado de um suco energético que tinha gosto de capim moído.  Luíra comprou uns biscoitos orgânicos e distribuiu com a turma do pedal.  Mari comeu e achou o gosto parecido com móveis aglomerados de madeira prensada. Cadê a carne?  Cadê a graxa?  Nada ali tinha gosto de comida.  Até o bolo era feito com uma farinha de trigo integral, cheia de taliscas, com gosto de mofado.  E a conversa do povo?  Um tal de suplemento pra cá, de anabolizante pra lá.  Dietas à base de frutas exóticas,  chás revigorantes, potes de mais potes de proteína.   Luíra era mesmo de uma geração saúde, sem álcool, sem maconha, mas com anadrol, deca durabolin, equipoide e halostetin, às vezes  ritalina, verotil, fluoxetina e rivotril.   O importante é a saúde e não consumir drogas, carne vermelha e massa branca.

Drink atleta vegan:
½  litro de água orgânica
½ litro de água com cristais de gengibre
3 gostas de algum anabolizante qualquer
Agite bem e tome enquanto observa a bike importada do coleguinha de pedal


domingo, 24 de março de 2013

ENQUANTO ISSO UMA JORNALISTA MORALIZADORA.



Antonia Sheiroazedo é uma famosa jornalista.  Desde cedo aprendeu a chantagear o pai se fazendo de boa moça.  Morava no interior e vivia criticando suas amigas, apesar de não perder a chance de roubar o namorado alheio.  Rainha da fofoca, desenvolveu um vocabulário peçonhento que conquistava a todos pela sua ousadia verborrágica.

O pai, mesmo pobre,  cedeu as pressões da filha para manda-la estudar na capital.  Antonia Sheiroazedo já sabia o que queria:  jornalismo.  Desde cedo pensava numa profissão que pudesse exercer três grandes funções:  manipular, inventar e vender notícias verdadeiras e falsas.  Pensou também em Ciências Sociais por causa do presidente FHC e também em Direito.  Embora nenhum curso seja terrível como ela queria, qualquer um poderia ser usado para suas artimanhas. No dia da formatura, enquanto todos juravam coisas éticas da Comunicação Social, Antonia Sheirozedo só pensava em como ganhar dinheiro às custas dos babacas que acreditariam nas suas lições de moral.

Depois de formada, ela logo aprendeu a se locupletar das tetas da vaca do Governo.  Trabalhando num jornal, começou a arte da babação:  fez um curso com um calunista social.  Neste curso, ela aprendeu como se aproveitar de alpinistas sociais, novos ricos, mulheres fúteis, beldades botocadas, políticos decadentes.   Depois Antonia Sheirozedo foi trabalhar numa redação.  Escrevia bem a moça.  Mas ela descobriu que a babação não era a melhor forma de se dar bem.  Havia outra mais eficiente:  a invenção moralista.  Começou a escrever sobre corrupção dos políticos sem citar nomes.  Dois terços dos políticos locais vestiram a carapuça e começaram a chamar Antonia Sheirozedo para festinhas e bailes.  Os juízes também caíram na onda moralizante dela.  Foi contratada por uma instituição para falar bem dela. 

Logo que começou a chamar atenção foi contratada para a TV.  Foi aí que Antonia Sheirozedo ganhou os píncaros da fama.  Sua técnica consiste em fazer carão e falar grosso dando lição de moral enquanto apresenta a notícia. Apesar de tanta moralidade, manteve o emprego público, recebendo sem trabalhar...

A apresentadora escolhe a notícia e manipula, inventa e elabora um discurso bem moralista sobre o tema, na onda do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.   Sua tática consiste em pegar um tema polêmico e emitir uma opinião que agrade a uma parte da população que também não entende nada. Patrocina as causas conservadoras com seu discurso perfeitinho.  Une-se a liberais e conservadores na mesma proporção em que fala mal deles. Tentou ir ao carnaval da Bahia de graça e ninguém a aceitou.  Fez um editorial metendo pau no carnaval. Queria passar férias num resort sem pagar nada, não foi aceita, fez um editorial lascando o resort por questões ambientais.  Queria abatimento de 70% para ela e sua família num shopping, não conseguiu e fez uma matéria sobre as deficiências na segurança das lojas.  Usa cara feia, fala quase se esgoelando, arregalando os olhos. 

Parte de sua moralidade vem de chantagens. Aprendeu que o péssimo jornalismo consiste na manipulação de notícias mostradas de maneira “isenta” e “neutra”.  Com sua bravura, faz com que as pessoas não se importem em verificar a notícia, como ela foi produzida, onde está sendo veiculada.  Atualmente está conspirando com grupos religiosos, defendendo pastores fundamentalistas e se vingando de uma clínica que não aceitou fazer uma plástica facial total de graça.  Botox, cara feia, voz de gralha, moralidade e histeria são as categorias prediletas de Sheiroazedo.

Drink para assistir o jornal:
Qualquer bebida
Um mp3 no último volume ou a TV no mute