domingo, 25 de dezembro de 2011

ENQUANTO ISSO NUM NATAL MUITO CHIQUE...

Anvisa pede ‘recall’ de próteses de mama
A Anvisa recomendou ontem um recall nas próteses de silicone vendidas no Brasil pela empresa francesa PIP até 2010, quando seu uso foi proibido. Cerca de 25 mil brasileiras implantaram essas próteses. O motivo é o risco de rompimento no interior do organismo.

Ao ler esta notícia, Roberta Kelly, filha única do empresário Arnóbio Juvêncio, do ramo de construção, teve uma crise histérica. Dizia a todas as amigas invejosas que o silicone dos seus peitos era importado da França, pois seu cirurgião plástico prometeu que os homens iriam sentir gosto de champanhe ao sugar os lindos seios da ricaça.  Era a sexta plástica dela, mas pouco adiantava devido a sua genética: Roberta era conhecida por seus amigos como Bebeta Carranca, apesar do aparelho ortodôntico, de ter serrado o queixo, consertado as orelhas de abano e implantado cabelo na testa (também conhecida como testa de tela de cinema).

 
A mãe, dona Severina Juvêncio, tentava em vão consolar a filha, pois seu personal stylist, um colunista social golpista, recomendou à velha senhora que evitasse quaisquer escândalos na Noite de Natal.  


Para introduzir a família Juvêncio no high society pessoense,  Bebeto Carlos (originalmente Roberto Edson Carlos  em homenagem aos reis da música e do futebol) criou uma festa de natal chamada Night of Santa Claus, carinhosamente apelidada de Balada da Santa, a lôca,  pelos inimigos gays. Dona Sev juntou todas as beldades do alpinismo social da cidade num magnífico salão de festas.  Para fazer uma surpresa aos convidados, a velha senhora se travestiu de Mamãe Noel para descida da escada à meia noite. Acompanhando dona  Sev, seu Arnóbio Juvêncio, também vestido de Papai Noel, depois de ter tomado todas, subiu para conduzir sua esposa. Sentia saudade das festas na lage, com pagode e picado e muita raparigagem.
 
Ninguém na festa conhecia o casal e pouca gente ali sabia quem era Roberta Kelly.  E por falar em Roberta, ela estava puta da vida, pois sua roupa de filhinha Noel não deixava seus peitos à mostra. Até Antônio Rubens, namorado dela, filho de uma família importante e falida, estava vestido de genrinho Noel.  Toninho tinha um caso com a empregada da família e quase foi flagrado comendo a moça no gazebo de massagem.  


Juntamente com o colunista Bob Carlos, criou uma rede de prostituição com jovens estudantes de Universidades privadas. Um dos ramos desta empresa cuidava de organizar festas e extorquir os novos ricos ávidos por fama e reconhecimento social. Além disto, tinham uma editora que fazia revistas com as fotos dos novos ricos.  A empresa ia bem.  Seu novo empreendimento era conhecer a Europa e Estados Unidos fazendo fotos de 15 anos nos lugares turísticos.  Aproveitavam as viagens para contrabandear roupas e eletrônicos vendidos aqui na capital por high society bag carries (sacoleira em inglês, pra ninguém desconfiar). Depois das festas, Bob Carlos e Toninho vendiam caixas e mais caixas de champanhe e whisky aos novos ricos.  Era uma ciranda sem  fim.
 
O dinheiro da família Juvêncio vinha da lavagem de dinheiro via construção civil.  Vizinhos de Fernandinho Beira Mar no Rio de Janeiro, comandavam uma rede internacional de lavagem de dinheiro.  Aqui em João Pessoa, construíam mega edifícios e vendiam a preços exorbitantes também aos novos ricos da cidade.  Um dos tentáculos desta empresa era a venda de carrões importados, tudo em nome do sucesso da elite new rich da cidadela. 

 
Voltando à festa, seu  Arnóbio, na descida da escada, tropeçou no longo de dona Severina (Sev, para os chiques) e rolaram os dois escada abaixo. Aplauso geral dos convidados com a performance do casal natalino. Com a confusão rolando, duas elegantes damas da sociedade alpinista aproveitaram para roubar seis pares de talheres de prata, completando assim seus faqueiros.  Antônio, o namoradinho de Roberta Kelly, também aproveitou o evento para transar com uma convidada no banheiro dos garçons. Mas quando os dois saíram do banheiro, viram o marido da moça fazendo um boquete num dos garçons.  Como são pessoas chiques e civilizadas, voltaram as suas mesas e trocaram selinhos noite adentro.  Na queda, a peruca de dona Sev ficou presa num arranjo floral da escadaria e imediatamente Bob Carlos pegou uma touca de uma das garçonetes e resolveu o problema. Quase ninguém notou, pois nestas festas a inveja impera.  Cada convidada olhava para as bolsas, os sapatos e vestidos da sua concorrente de mesa vizinha.  Os maridos conversavam sobre haras, carros, golfe e raparigas. Coisas que liam, ou melhor, viam, na revista Playboy e VIP.

 
Assim rolou mais um Natal chique na vila pessoense. Noutro dia, ressaca, leitura das colunas sociais, fofocas, e a ansiosa espera da publicação da revista de festas chiques, até que outro evento maravilhoso aconteça na maravilhosa vida destas pobres ricas criaturas.

 
Drink natal high society:

 
1 dose de campari contrabandeado da Itália
1 pitada de chilli contrabandeado de Miami
Complete com gelo feito de água Evian (não é, mas diga que é)
Enfeite com um ramo de mentha crispa (é hortelã mesmo)
Beba fazendo cara de quem foi sempre rico (uma carinha meio emburrada, com os olhos um pouco caídos e o canto da boca levemente arqueado pra baixo)

2 comentários:

Edson Vasconcelos disse...

História digna de um roteiro de filme de quinta! :)

Edson Vasconcelos disse...

História digna de roteiro de filme de quinta! :)