domingo, 5 de junho de 2011

ENQUANTO ISSO NUMA REVISTA CHIQUE...



Raimunda Tenório herdou um império de produtos de atacado no interior da Paraíba. Bronca e rica. Tudo que os sanguessugas da capital precisavam... Sua filha, Rainilda (Rai da mãe Raimunda e nilda do pai Francenildo) vivia desapercebida pela hi(?)society pessoense até que...

Lord Pink, famoso colunista da capital, resolveu dar um golpe na família Tenório, agora estabelecida em João Pessoa. A moça Rainilda iria ser capa de uma das revistas mais chiques do mercado de moda da cidade. Seguinte: temos aqui um promissor mercado editorial de moda e glamour. Revistas caras, bem editadas e distribuídas gratuitamente em pontos chiques da capital. Pessoas desconhecidas que querem aparecer nas imitações de Caras locais. Hum... Desde que paguem uma fortuna!!!

Rainilda tinha 16 anos. Lord Pink insistiu com a mãe dela para fazer uma festa de debutante, pois a criatura era desconhecida e ninguém iria saber a idade dela mesmo. Lord Pink estava devendo horrores aos 8 cartões de crédito que tinha. Só o cartão de um supermercado da periferia ainda aceitava suas compras. A concessionária tomou o carro que ele desfilava com tanto orgulho. Estava morando de favor no apartamento de uma senhora da elite que sofria de Alzheimer. Sua estratégia de ir aos desfiles e “levar emprestado as roupas para melhor examinar” já não colava mais. Tinha ainda 300 reais de um convite que recebeu e vendeu para um casal de novos ricos numa festa em São Bento. Dois restaurantes famosos da cidade proibiram sua entrada por sucessivos calotes.

Mas agora ele se juntou a uma destas revistas chiques e iria faturar em cima da riqueza da pós-debutante Rainilda Tenório. Não convenceu a velha, mas a filha ficou louca pela ideia de sair na capa de uma revista famosa, fashion, para fazer inveja às colegas de classe. A menina era uma cratera só. Feia e estilo barraqueira, bateu o pé e “mainha” teve que ceder aos berros histéricos da filhota. A revista vivia de propagandas e eventos de festas de novos ricos. Alguns médicos, esteticistas e donos de lojas anunciavam nas páginas, mas o forte da empresa era mesmo cobrar rios de dinheiro pras novas carrancas aparecerem no cenário chique da capital. Assim foi com Rainilda.

Depois de um mês sem comer pipos e mungunzá, Rainilda foi fazer um dia de noiva completo num salão chique da cidade. Haja maquiagem. Lord Pink levou a moça para fazer fotos na ilha de Fernando de Noronha, pois ele nunca tinha ido lá. Rainilda subiu num penhasco e despencou  numa terrível queda. Voltou toda inchada e arranhada pra João Pessoa para sua festinha de 15 anos. 

Num salão super chique, Lord Pink recebia as pessoas, na sua maioria gente que nem sabia quem era a aniversariante. Boca livre chique é sempre bem vinda. Para os novos ricos, com a promessa de também aparecer na revista, ele cobrou 100 reais o convite. Tudo lindo. À meia noite, descendo a escada, eis que surge Rainilda com seu pai. O velho tinha tomado todas e tropeçou no vestido da moça,  rolando escada abaixo. Lord Pink prontamente chamou o SAMU e mandou caprichar nos salgados para ninguém notar. Na hora da valsa, o primo de Rainilda a tomou pelos braços e dançou valsa como quem dança forró no interior. Mas as pessoas não estavam nem aí para os eventos. Fotos, muitas. Rainilda com a mãe, com a avó não-sei-o-que-estou-fazendo-nesta-merda, com os primos forrozeiros. A mãe, na hora do brinde, se engasgou com o champanhe e cuspiu em cima do bolo sua perereca nova. Lord Pink disfarçou e cobriu tudo com a tolha de mesa.

Lá pras tantas, os primos de Rainilda já putos com as músicas, exigiram que tocasse forró. Rinaldo, um dos primos já bêbado, foi no carro e trouxe os cds que iriam rolar: Forró da Xeta, Garota Safada, Forró das Nega. Tiraram os blazers e ficaram do jeito que o diabo gosta. As amigas jogaram o salto alto fora e foram forrozar. Um cheiro estranho de perfumes franceses falsificados e suor invadiram o ambiente. Um grupo de chiques achou aquilo exótico. Um senhor muito respeitoso levou uma cantada na saída do banheiro de uma amiga de dona Raimunda. Ofereceu viagra ao nobre senhor. Lord Pink, já precavido, subornou dois garçons para que eles separassem duas caixas de whisky pra ele (nunca se sabe como vai ser o futuro, não é mesmo?). Várias senhoras foram saindo da festa com os enfeites da decoração do salão de festas. Não sabia Lord Pink que ele iria ter que pagar por tudo isto...

Um mês depois, enfim a revista. Embora com photoshop, as fotos ficaram um terror. Gente feia é gente feia com ou sem tecnologia. Mulheres gordas em roupas de festa apertadas. Homens sem blaizer e com uma roda de suor na camisa. Lord Pink sorrindo com sua dentadura recém clareada. 

Dona Raimunda, cobra criada no comércio, descobriu as falcatruas de Lord Pink e o fez pagar pelo whisky roubado e por um faqueiro de prata que ele havia vendido a um casal de novos ricos do brejo. Sem carro, sem dinheiro, Lord Pink ficou pensando no seu próximo golpe publicitário. Novos ricos servem pra isto, afinal.

Drink revista chique:

1 dose de whisky falsificado;
Muita água de côco;
Geladose à vontade;
1 engov (opcional)

4 comentários:

Gleidson Marques disse...

rsrsrsrs é o preço pra se entrar na high society pessoense,tudo é muito maquiado,só quem sabe é quem estar por trás dos bastidores,EITA povo sem noção!!ersrsrs ADOREI O HUMOR TOTAL ÁCIDO,rsrsrsrsr.

Gleidson Marques disse...

rsrsrsrs é o preço que se paga pra entrar na high society pessoense,EITA povo sem noção,ninguém sabe o que tem por trás dos bastidores,santa futilidades,rsrsrsrs,ADOREI O HUMOR ÁCIDO!!!é pra se pensar

Edson Vasconcelos disse...

Todos com rostinho perolado a base de muito photoshop...

Lucy Westenra disse...

Tô me rasgando de rir lembrei da minha vizinha que pagou 30 mil pra ter as fotos do casamento publicadas em uma dessas revistas hauhauhauahuahua.