domingo, 23 de janeiro de 2011

ENQUANTO ISSO NO ALMOÇO COM A VOVÓ...

Shirleynne Aparecida odiava a avó, dona Ermelina Santos.  D. Ermelina criou a netinha durante os anos em que seu pai fugiu do Estado depois que a polícia desbaratou uma quadrilha de puxadores de carro de luxo que o pai liderava.  A mãe de Shirleynne descobriu que era moda ficar em depressão e abandonou a menina aos cuidados da avó paterna enquanto ficava reclusa num casarão no altiplano com 21 gatos e uma empregada semiescrava que atendia o telefone sem fio em cima de um tamborete com medo de levar um choque. 

D. Ermelina, apesar dos maus tratos da netinha, fazia sempre os seus gostos.  Agora, Shirleynne estava em dúvida se passaria seus 15 anos na Disney com Minie, Mickey e o Pato Donald ou se fazia uma tremenda festa de debutantes para impressionar a sociedade pessoense.  Sem pensar muito (coisa difícil para debutantes do tipo dela), decidiu pela festança. Três colunistas se engalfinharam para organizar o evento. Venceu a luta o colunista que prometeu trazer um artista decadente  da Malhação pra dançar a valsa com Shirleynne. Depois se descobriu que nem o artista e tampouco a debutante jamais haviam ouvido falar em valsa. Improvisaram um forró que deu no mesmo.

Irritada com a avó, Shirleynne fez o que melhor sabia fazer para impressionar a high society (?) de João Pessoa.  Montou-se toda, subiu num salto agulha, lambuzou-se de perfume francês forte, pegou o seu carro importado, colocou a pobre avó de lado e foi com umas amigas para a churrascaria Sal e Brasa se empanturrar de carne e coca cola. D. Ermelina tinha pressão alta, sofria de ácido úrico, estava com mal de Parkinson e a perereca estava frouxa, o que impedia a pobre senhora de mastigar carne. A velha ainda arguiu seus problemas, mas Shirleynne saltou do carro diante da churrascaria, pegou sua bolsa gigante, quebrou o punho (atitude gazela no cio) e dirigiu-se imponente ao salão da churrascaria.  Antes de entrar levou um tombo no tapete da entrada, mas levantou-se apenas com um cotovelo escalpelado.  As três amigas esboçaram uma risada, mas se lembraram de que era a amiga patricinha que iria pagar a conta. 

As quatro amigas comiam desesperadamente.  A avó estava invisível.  Toda vez que tentava falar uma das meninas colocava uma colher de farofa no prato da velha a esta altura quase entalada de comer ovos de codorna. Tentou, em vão, mastigar uma picanha mal passada, mas a perereca quase ia sendo cuspida quando a vovó descobriu que era carne de porco, proibida por seu geriatra e pela sua formação religiosa. 

Comeram de tudo e pediram sobremesas.  Nenhuma dela comeu a sobremesa pensando na balança.  Duas foram ao banheiro vomitar a comida.  Shirleynne tomou um laxante de última geração. O garçon voltou com a conta.  Shirleynne já se cagando, olhou ternamente para D. Ermelina e obrigou a velhinha a pagar a conta.  Uma neta exemplar, pensaram algumas senhoras na mesa vizinha.  Um ato de solidariedade com a terceira idade, imaginou um senhor que comia sozinho.  Em desespero, Shirleynne saiu como um raio.  Chegando em casa, depois de passar 35 minutos no troninho, recebeu uma ligação no seu celular dourado.  Ela havia esquecido sua querida vovó no estacionamento da churrascaria. 

Drink pat bulímica:
1 coca cola diet
1 rodela de limão
15 gotas de lactopurga
Beba num local próximo a uma privada

3 comentários:

Edna Brennand disse...

Fazia tempo que passava para me divertir...Adorei todos os posts...mas o de Vanessa Camargo foi de arrasar...Não consigo mais entrar no Sal e Brasa sem olhar em volta e refazer sua cena!!!!Demais bjs

A&T-ADVOGADOS E CORRETORES disse...

Caro Leon, a sua irreverência é tudo que todos gostariam de ter, mas se escondem na capa preta da hipocrisia. Parabens.

VALFREDO ALVES

Demetrius Leão disse...

E isso aí meu caro Adriano!!!
Viva a aparência!!! Viva a hipocrisia!!!

Abraços.

ps. E há participantes do BBB que ascendem???