segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ENQUANTO ISSO UM FUNCIONÁRIO DO ESTADO DESEMPREGADO...

Manuel Teodoro Palmeira Novais conseguiu sem emprego pelos favores que seu tio fez ao governo estadual quando era juiz eleitoral. Formou-se num curso qualquer na UFPB, pagando sempre aos mais pobres para fazer seus trabalhos, se oferecendo para entrar num grupo tal, subornando uns e outros, estas engenhosidades que os burgueses burros fazem pra subir na vida.

No estágio prático foi reprovado, mas conseguiu uma boa nota dando uma cesta de natal que o tio ganhou de um advogado de sucesso a um funcionário de plantão.  Ainda se cogitou na família que Manuel fizesse Direito pra vender as sentenças de seu tio no mercado penal e cível.  Mas ele não tinha talento pra tanto, pois nesta área do Direito tem que se fazer as coisas direito.

Manuel tentou em vão abrir uma clínica.  Sangrou a pobre mãe e exigiu uma sala equipada pra tratar de seus futuros clientes.  A barca furou quando ele tentou agarrar um dos seus pacientes, rapazote de 16 anos.  Manuel foi processado, mas seu tio alegou que aquela era uma prática nova importada dos Estados Unidos e que saiu até no Cansástico da rede Globo.

Conseguiu uma boquinha no governo do Estado e entrou como professor. Nunca deu uma aula, pois logo logo seu tio arranjou-lhe uma tetinha mais gorda ainda  no setor da justiça, que paga bem aos amigos e fode os funcionários de carreira.

Ricardo Coutinho acabou com a farra de Manuel.  Ele foi chorando ao colo do titio que lhe virou a cara fingindo que nunca o conhecera.  Voltar pra sala de aula nunca! A nobre família de Manuel tentou falar com políticos importantes.  Mas políticos importantes não recebem gente falida e nem gente sem cabrinhas pro seu curral eleitoral. A mão de Manuel deixou de usar produtos da Payot e agora compra Avon e derrama em frascos de Lancôme.  Seu pai, já cansado daquele filho imprestável, viciou-se em Rivrotil com Montilla, que bebe no último cálice de cristal que há na casa.  Manuel está em depressão com as mensalidades de uma academia chique em atraso, o leasing do carro impagável e uma corrente de ouro empenhada há 9 meses.

Manuel Teodoro não se baixa.  Atualmente pensa em dar um golpe no seu tio prometendo-lhe não denunciar suas falcatruas na imprensa.  Pensa agora realmente em fazer Direito. 

Drink desempregado do Estado revoltado:

1 copo de cachaça
Tome, pois é tudo que seu salário de desempregado agora pode comprar

domingo, 23 de janeiro de 2011

ENQUANTO ISSO NO ALMOÇO COM A VOVÓ...

Shirleynne Aparecida odiava a avó, dona Ermelina Santos.  D. Ermelina criou a netinha durante os anos em que seu pai fugiu do Estado depois que a polícia desbaratou uma quadrilha de puxadores de carro de luxo que o pai liderava.  A mãe de Shirleynne descobriu que era moda ficar em depressão e abandonou a menina aos cuidados da avó paterna enquanto ficava reclusa num casarão no altiplano com 21 gatos e uma empregada semiescrava que atendia o telefone sem fio em cima de um tamborete com medo de levar um choque. 

D. Ermelina, apesar dos maus tratos da netinha, fazia sempre os seus gostos.  Agora, Shirleynne estava em dúvida se passaria seus 15 anos na Disney com Minie, Mickey e o Pato Donald ou se fazia uma tremenda festa de debutantes para impressionar a sociedade pessoense.  Sem pensar muito (coisa difícil para debutantes do tipo dela), decidiu pela festança. Três colunistas se engalfinharam para organizar o evento. Venceu a luta o colunista que prometeu trazer um artista decadente  da Malhação pra dançar a valsa com Shirleynne. Depois se descobriu que nem o artista e tampouco a debutante jamais haviam ouvido falar em valsa. Improvisaram um forró que deu no mesmo.

Irritada com a avó, Shirleynne fez o que melhor sabia fazer para impressionar a high society (?) de João Pessoa.  Montou-se toda, subiu num salto agulha, lambuzou-se de perfume francês forte, pegou o seu carro importado, colocou a pobre avó de lado e foi com umas amigas para a churrascaria Sal e Brasa se empanturrar de carne e coca cola. D. Ermelina tinha pressão alta, sofria de ácido úrico, estava com mal de Parkinson e a perereca estava frouxa, o que impedia a pobre senhora de mastigar carne. A velha ainda arguiu seus problemas, mas Shirleynne saltou do carro diante da churrascaria, pegou sua bolsa gigante, quebrou o punho (atitude gazela no cio) e dirigiu-se imponente ao salão da churrascaria.  Antes de entrar levou um tombo no tapete da entrada, mas levantou-se apenas com um cotovelo escalpelado.  As três amigas esboçaram uma risada, mas se lembraram de que era a amiga patricinha que iria pagar a conta. 

As quatro amigas comiam desesperadamente.  A avó estava invisível.  Toda vez que tentava falar uma das meninas colocava uma colher de farofa no prato da velha a esta altura quase entalada de comer ovos de codorna. Tentou, em vão, mastigar uma picanha mal passada, mas a perereca quase ia sendo cuspida quando a vovó descobriu que era carne de porco, proibida por seu geriatra e pela sua formação religiosa. 

Comeram de tudo e pediram sobremesas.  Nenhuma dela comeu a sobremesa pensando na balança.  Duas foram ao banheiro vomitar a comida.  Shirleynne tomou um laxante de última geração. O garçon voltou com a conta.  Shirleynne já se cagando, olhou ternamente para D. Ermelina e obrigou a velhinha a pagar a conta.  Uma neta exemplar, pensaram algumas senhoras na mesa vizinha.  Um ato de solidariedade com a terceira idade, imaginou um senhor que comia sozinho.  Em desespero, Shirleynne saiu como um raio.  Chegando em casa, depois de passar 35 minutos no troninho, recebeu uma ligação no seu celular dourado.  Ela havia esquecido sua querida vovó no estacionamento da churrascaria. 

Drink pat bulímica:
1 coca cola diet
1 rodela de limão
15 gotas de lactopurga
Beba num local próximo a uma privada

sábado, 15 de janeiro de 2011

ENQUANTO ISSO NUMA MANSÃO EM CAMBOINHA...

Severino Marcolino, empresário do ramo de cerâmica, fez fortuna em Patos traficando meninas pobres para bordéis em Cabrobó em troca de cargas de maconha prensada.

Chegou a João Pessoa com muita grana e resolveu lavar todo dinheiro sujo no ramo de imóveis de luxo e uma fabriqueta de cerâmicas para construção civil.  Comprou um apartamento de cobertura e dona Evilásia Marcolino contratou os melhores decoradores para encherem o ap de entulhos caros que ela misturava com quinquilharias coloridas.  Têm dois filhos.  Um rapaz ligado com tráfico de extase e uma patricinha compradora compusiva de sandálias de plástico com salto.  Ambos burros e bem sucedidos no ramo da encrenca.

Biu Marcolino, incentivado pelos novos amigos que não têm no cu o que o priquito roa, resolveu comprar uma mansão à beira mar da praia de Camboinha.  Dona Evi, apelido dado por uma colunista que vive sugando a velha senhora, entupia a casa de estátuas gregas, Frei Damião em tamanho natural e na piscina da casa, um Padre Ciço jorrando água pela bengala.

Na última quarta, receberam a visita da Energisa, que cortou a energia da mansão porque descobriu um gato de há mais de dois anos. O filho trambiqueiro contratou um bandido redimido pra fazer a ligação através de um túnel que roubava energia do poste e ligava os 21 ar condicionados splits da casa, a sauna, a cachoeira artificial, a banheira de hidromassagem e uma queda d´água no aquário da sala principal.  Dona Evi marcou um jantar com os amigos de seu Biu Marcolino com a ajuda de sua colunista preferida, que por sinal adorava festinhas na casa dos Marcolino, pois sempre levava uns brindes pra sua própria casa:  caixas de champanhe, alguns copos de cristal e mesmo sobras de bacalhau e lagosta que ela dizia ser para as velhinhas do abrigo São José. 

Os convidados, famintos, chegaram à mansão às escuras.  A colunista, já pensando no rapa da noite, convenceu a todos que era um lual in home, com direito a velas e tochas improvisadas usadas na última festinha da filha demente.  Depois descobriu-se que a maioria dos convidados também tiveram sua energia cortada por ter feito gatos na energia.  Todos riram mostrando os dentes recém polidos por uma técnica de branqueamento que deixa os dentes florescentes nas noites sem luz. 

Drink gato da Energisa:
1 dose de Chivas contrabandeado do Paraguai
1 copo de água de côco
quatros cubos de geladose
Tomar na sauna que funciona com energia roubada