segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ENQUANTO ISSO NUM HALLOWEEN DE COWBOY..




Quem poderia unir dois grupos tão diferentes como os cowboys e os gays?  Resposta:  ela, a Hebe pop sertaneja, Wanessa Camargo!

Neste último final de semana na capital, um grupo de megaempresários resolveu fundir (ou seria fuder?) dois grandes eventos em um só.  Juntar o halloween gay com a vaquejada.  Os planos foram feitos, o local foi arranjado.  A equipe de decoração, após longas reuniões com designers e decoradores finalmente chegou a um consenso.  Vacas cor de rosa, chifres pintados  com purpurina, cavalos com sela com franjinhas e arreios de frufru, chicotes com strass, botas e jaquetas de couro (nisso dá pra combinar sem alterar).

Às 23 horas os portões foram abertos.  Lá fora, antes de entrar, os grupos tentavam se entender.  Sapatas fazendo a linha “tô nem aí”, usando uniforme de camisão sobre uma camiseta, calça frouxa (pra simular o que não se tem mas se deseja ter) e tênis all star sujo. Sapatas dark, estilo “saga crepúsculo”, meio depressivas, meio espantadas. Sapinhas teen ao lado de bibinhas teen tomando refrigerante e tirando fotos pro Orkut. Bibas poor fashion desfilavam seus modelitos customizados pelas costureiras do bairro. Os gays higiênicos (aqueles que não se misturam com ninguém, não se acham gays e andam sempre de cara feia) passeavam com seus relógios falsificados, com suas roupas de grife compradas na 25 de março e seus tênis de marca comprados em 24 vezes nas sapatarias locais.  As pintosas pulavam mais do que as eguinhas pocotós que estavam num cercado ao lado. Vaqueiros tomando whisky paraguaio com red bull, carros com portamalas aberto com um som nas alturas. Garotas com cabelos longos, estirados, chapados, salto alto (em terreno sem calçamento é uma acrobacia), sempre retirando o cabelo da cara e jogando atrás da orelha (é um tique nervoso ou a tinta do cabelo tem esta programação?), segurando o copo de bebida dos seus namorados (elas às vezes funcionam como mesas portáteis).   Havia um grupo que se confundia:  as barbies.  Às vezes eram gays bombados com cabelos estilosos, roupas coladas e calças justíssimas; às vezes eram mocinhas de cabelos pintados, estirados, chapinha, sandálias de salto 18 e calças justíssimas; às vezes eram vaqueiros jovens, bombados, camisas apertadas, pulseiras, cabelos compridos e calças justíssimas.  Quando se misturavam, não dava pra saber quem era sapinha teen ou garotas porta-copos; gay higiênico ou vaqueiro fashion;  enfim todo mundo após umas e outras acaba se confundindo...

Wanessa Hebe pop sertaneja abriu o show com duas meninas fazendo uma performance de zumbis.  Olhos arregalados, gestos bruscos, cara de espanto.  Sem banda (é, a pobreza também atinge os sertanejos pop...), eis que entra a diva pop pós-gay loura hebe sertaneja numa mistura do clipe Thriller de Michael Jackson com Britney Spears drogada, cantando um super sucesso Não me leve a mal.  O público delirou. Chapéus voavam em meio a pulseiras de couro e glitter. 

Depois de vários copos a festa bombou geral.  Um vaqueiro confundiu sua noiva com uma drag de cabelos loiros, lisos e de chapinha tascando-lhe um beijo cinematográfico. Um gay higiênico fazendo carão chorava num canto por que foi abandonado por um cafuçu do interior  enquanto uma patricinha, cansada de ser ignorada pelo seu namoradinho (que já estava de olho num cara bombado) tentava o consolar enquanto segurava seu copo de coquetel de frutas sem álcool. Uma sapatona conquistou uma vaqueirinha de shopping depois de vencer uma queda de braço com o namorado dela.  Uma drag dava aulas de como andar de saltos em terrenos íngremes a um grupo de lourinhas pós-siliconadas. Um vaqueiro ensinava a um gay-barbie como segurar um boi pelo rabo enquanto o gay-barbie lhe ensinava como liberar este rabo (não o do boi, se é que vocês me entendem).  

Wanessa berrava:
Siga sua vida
Tudo vai tão bem pra você
Será que nem assim consegue me esquecer
Eu só te dei a mão, eu te chamei de irmão
Te pus na minha casa e dividi meu pão

Sei
Que traição no ser humano é uma fraqueza
Sei
Lutamos sempre contra nossa natureza
Mas que beleza
Deus, que perfeição
Judas e ajudas se completam na evolução

Vencer
Eu sei que todos vencerão
Uns entre amigos, outros na solidão
A sua antena tava fora de estação
Confundiu inveja com admiração

Siga o seu caminho
Não me leve a mal
Ooooohhhhh ...
Minha cabeça não é degrau
Não não não, não me leve a mal
Não não não, não me leve a mal
Não não não, minha cabeça não é degrau

Bem, depois desta filosofia profunda, só bebendo...

Drink cowboy gay:
Uma dose de whisky (pode ser cavalo branco, preto ou mestiço mesmo)
Acrescente um energético da moda
Misture com essência de groselha e enfeite com uma cereja

Drink gay cowboy:
Um copo de coquetel de frutas (pode ser as mais coloridas)
Uma dose de absinto (coisa chique, difícil de encontrar, mas pode ser substituído por whisky Johnnie Walker Pink)
Faça cara de abuso e chupe pelo canudinho

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ENQUANTO ISSO NUMA PÓS-DERROTA...



Visando ganhar o prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar 2014, Arnaldo Jabor convoca uma equipe de técnicos e atores para filmar a última parte da saga Crepúsculo – a sanha do apocalipse e o poder do Zé.  Eis o elenco escalado:
Vampiro TFP: Zé Serra
Mestre de Obras do World Trade Center: Zé Maranhão
Rata Catita: Papa Bento XVI
Guerrilheira do apocalipse: Dilma
Mago do Apocalipse: Ricardo Coutinho
Trilha sonora: E agora, José? interpretada por Vanusa
Roteiro: Diogo Mainardi e Regina (tenho medo) Duarte
Direção: Arnaldo Jabor
Apoio financeiro: UOL, Falha de São Paulo, Rede Bobo, Veja
Marketing: IBOPE
Divulgação local: sistema Correio

Roteiro:

Para combater as forças do catimbó apocalíptico numa pacata cidade do litoral da Paraíba, o clã do bem (pode ser DEM), liderado pelo vampiro Zé Serra resolve partir para a guerra santa armados com panfletos, fuxicos, cruzes, pec 300 (a arma letal) e cargos comissionados. Aconselhados pela Rata Catita direto do Vaticano, bispos, padres e pastores arregaçam batinas e paletós partem para a batalha final dos 300 de Gedeão.  Ainda decepcionado com o fracasso do seu último prédio, o World Trade Center, o mestre de obras  resolve abandonar o curso intensivo de oratória e se juntar com o exército da Rata Catita.

A Rata Catita organiza seus bispos e pede que eles parem de comer criancinhas (coisa de comunista e de Michael Jackson) e vão se aconselhar com a doutora psicóloga Mônica Serra, num minicurso “faça o que digo e não faça o meu aborto”.   O negócio agora era achar um casal de lésbicas que iriam fazer um aborto, mas desistiram para dar a criança para adoção a um casal de gays ex-maconheiros.  Depois disso, dizer que esse era o povo que apoiava o Mago e a Guerrilheira.  Para isso bastava contar com alguns jornais, uma rede de TV e com a simpatia do casal 45, William Bobo e Fátima Penada.

O clã dos vampiros se reúne na única cidadezinha paraibana a ter aeroporto para traçar os planos do combate.   Reunidos com o clã família-propriedade-religião-pátria-tradição, alguns dos mais tradicionais vampiros se apresentam:  Marco Maciel (vampiro de 2000 anos de Pernambuco);  Artur Virgílio (cruzamento de vampiro com índio do Amazonas); Tasso Jereissati (vampiro “quem tem culpa se eu posso ter jatinho e vocês não” do Ceará) e as vampiras Mônica Serra (abortei e joguei o feto no Chile), Míriam Porcão (urubulóloga do quanto pior melhor) e Dora Kramer (vampira socióloga metida a jornalista).

Depois de uma missa celebrada pela Rata Catita e culto ministrado pelo pastor Silas Malafaia, aeronaves de última geração partiriam do aeroporto internacional de Araruna e bombardeariam os redutos do Mago e da Guerrilheira com panfletos mortais apocalípticos.  Depois, através de um programa especial liderado por Hebe Botox Camargo e Faustão, com vinheta do hino nacional cantado por Vanusa, o mundo iria descobrir finalmente  que Eva traiu Adão por ouvir os conselhos de Lula (a serpente barbuda), do Mago (o cara do Girassol) e da Guerrilheira Dilma.  Ao mesmo tempo a revista Veja traria uma reportagem com Deus indignado por ter sido traído por uma mulher, uma serpente barbuda num campo de girassóis.
Lançamento:  1º de abril de 2011

Drinks apocalíticos:

Drink vampiro Zé Serra:
1 copo de vinho de missa
Tome depois de ser acertado por um míssil em forma de bolinha de papel

Drink mestre de obras:
1 copo de conhaque de alcatrão de São João da Barra
Tome antes de distribuir panfletos sobre a arte satânica

Drink Mago e Guerrilheira:
1 copo de felicidade
1 dose de resistência
1 colher de esperança
Beba todos os dias sem contraindicação