terça-feira, 7 de setembro de 2010

ENQUANTO ISSO NUM BALAIO DE GATOS...


    
O CCHLA da UFPB é um centro muito eclético.  Cheio de cursos, alunos , professores, funcionários  e... gatos.  No último censo realizado pela FIBGE, o CCHLA contava com cerca de 897 gatos, distribuídos em salas, ambientes de professores, pátios, coordenações, cantinas e corredores.   


Numa luta pela sobrevivência, os gatos resolveram agora atacar as pessoas que costumam comer nas dependências do Centro.  Há notícias de ataques por um pedaço de coxinha, por uma banda de pastel, por um naco de brigadeiro.   Inconformados com a situação, parte da comunidade acadêmica resolveu pôr um fim a esta saga felina.  Vamos acabar com esta gataria aqui era a palavra de ordem. 


Parte dos professores de História foi chamada para, enfim, instruir as pessoas para o Grande Massacre de Gatos do CCHLA.   Depois de terem lido o livro de Roberto Darnton,  alguns professores de História,  Sociologia e Psicologia resolveram enforcar os gatos e pendurar suas cabeças nas esquinas do Centro.   Isto serviria de exemplo para que as pessoas deixassem de jogar sacos de gatos durante os finais de semana no CCHLA.


Houve um pandemônio.  A Sociedade dos Amantes dos Bichanos, responsável pela ração diária as bichinhos abandonados, denunciou o bando de facínoras  felídeos para a Polícia Federal.  O tumulto começou quando técnicos da zoonose recolhiam gatos para vender no mercado negro de churrasquinhos.


Minimizando o conflito, um grupo propôs uma campanha: adote um gatinho.  Cartazes, panfletos, campanhas e muita zoada para manter os gatos mijando, cagando, mordendo e transando nos corredores e salas de aula do CCHLA.  Por engano, um grupo de bruacas invadiu o CCHLA para adotar os gatinhos.  Quando descobriram que não eram rapazes, houve uma briga com a Sociedade Exterminadora de Felinos Indesejáveis.


Muitos grupos apareceram neste cenário de proteção ambiental. Um grupo de estudantes que organizam calouradas  propôs  encaminhar os bichanos para o Espetinho do Joca, especializado em filé miau. Alguns estudantes de biologia e medicina queriam os animais para as aulas de anatomia, pois comprar cadáveres no mercado negro estaria se tornando inviável.   A Sociedade Protetora dos Felinos Abandonados queria que os outros adotassem os gatos, mas nenhum deles jamais adotou um sequer.   Alguns estudantes mais radicais de movimentos sociais de vanguarda queriam soltar pitbulls para que uma limpeza étnica fosse feita.


Os marxistas alegaram que a culpa era do capitalismo que expropria os trabalhadores e os gatos no mercado de trabalho.  O PCO – Partido dos Correios – aproveitaram para denunciar que os sindicalistas pelegos transformavam seus gatos em animais de carga. Uns burgueses do PSDB acusaram Dilma de jogar os gatos não declarados pela Receita Federal no CCHLA.  As feministas reclamaram da campanha porque os cartazes só falavam em gatos e não em gatas.  As sapatões concordaram.  Alguns alunos e professores de música queriam apenas o couro dos bichanos para fazer instrumentos artesanais de percussão. Os ecologistas pregavam a criação de um curso especial sobre a importância dos gatos no controle de emissão de gases poluentes e na adubação natural dos jardins do CCHLA.  Os gays e as bruacas unidos clamavam por mais gatos em suas vidas.   As mulheres na política mais uma vez resolveram me processar porque eu insinuei que não havia gatas na política paraibana.  Alguns setores mais engajados pediam que os professores trocassem seus gatos por uma criança pobre.  Os evangélicos fizeram pouco caso, pois a bíblia revela que  gatos são coisas de bruxaria.  Queriam se unir com o povo do churrasquinho para fazer uma campanha pela fogueira santa de Jerusalém que queimaria os gatos de uma vez,  sob a custódia da Sociedade dos Amigos do Espetinho.  Houve até um grupo da nutrição que propôs implementar o cardápio do Restaurante Universitário...


Entre miados, protestos, chiliques e cartazes, os gatos continuaram a infectar o ambiente, cagando desesperadamente em todo lugar, transando nas salas e povoando o CCHLA de novos bichanos universitários.


Drink sugerido:

Uma garrafa de vinho chileno Gato Negro, para os cultos;

Uma garrafa de cachaça Gata Pelada, para os populares;

Tome acompanhado de um espetinho de filé miau...