quinta-feira, 29 de julho de 2010

ENQUANTO ISSO NUMA CÚPULA DE CENSURA

Líderes partidários, líderes religiosos, líderes comunitários, representantes de maiorias, latifundiários,  representantes de minorias, ex-presidiários, diretores de clubes de futebol, entre 876 entidades, reuniram-se em João Pessoa para decidir de uma vez por toda como censurar este blog e como exterminar o blogueiro.

A polêmica começou com o local.  Um religioso neopentecostal se irritou com um umbandista que propôs que o encontro fosse no Terreiro de Mão Joaninha.  Saíram às tapas, sendo acudidos por um budista que propôs uma meditação, levando já um murro de um católico que achou isto prática do diabo.  Os liberais democratas propuseram reeditar o AI-5, prender e torturar o blogueiro.  Os conservadores moderados discordaram da tortura, mas propuseram banimento para Paris. Houve um início de tumulto, pois os anarco-punks-revolucionários se disseram contra a tortura, enquanto  um deles esmurrou um socialista de direita, errando o soco num comunista cristão.  Um grupo de  heterossexuais se indignou com a participação de um grupo de gays e lésbicas, todos querendo censurar o blog.  Aos gritos de “viado e sapatão aqui não entra” chamaram um lutador de jiu-jitso  que marretou com vontade duas lésbicas e um gay bombado.  Dois bissexuais entraram na briga, quebrando uma cadeira nas costas de um corredor de vaqueijada e estapeando uma drag Queen que chutava uma travesti.  

As mais ofendidas, as mulheres, começaram a brigar porque as colunistas acharam que as feministas estavam debochando delas, usando celulares sem marca e carros populares.  As mais recatadas se retiraram da cúpula quando viram duas mocinhas se beijando. Começou uma briga feia quando uma militante propôs uma passeata, coisa que as mulheres fashionistas não aceitaram porque passeata é brega e não se pode ir às ruas de salto agulha. 
Acalmados os ânimos, resolveram então pensar em como censurar este blog tão nojento e pornográfico.  Alguns se levantaram e disseram não ser possível a censura ao livre pensar.  A confusão voltou com toda força. Uns propuseram rasgar o blog e foram vaiados pelos internautas 24h.  Outros  chegaram a propor uma passeata até o Pavilhão do Chá com PCs, notebooks e smartphones que seriam quebrados em protesto ao blog.  Alguns mais velhos, lembrando-se dos bons tempos da ditadura propuseram uma tarja preta no blog para que ninguém lesse ou que o blogueiro, a partir de agora, só publicasse posts que passassem pelos censores. Aí o pau comeu.  Quem seriam os censores?  Uns queriam censurar o português chulo, outros queriam censurar os termos de baixo calão, outros o conteúdo político, outros os drinks. 

Foi uma enorme briga sobre a moral. O consenso que ainda restava era: temos que censurar qualquer forma de riso deste gaiato.  Ele pode escrever o que quiser, mas nada de humor, nada que faça rir.  O consenso foi estabelecido.  Rir, daqui por diante, será proibido terminantemente.  Somos uma sociedade séria, um povo sério, um país sério. 
Lá no fundo da reunião, se ouve uma gargalhada forte.  Todos param, indignados.  Quem ousa rir e por que?  Era um grupo de jovens que estavam acompanhando seus pais censores.  A turba se voltou contra aquele grupinho de risonhos e, de dedo em riste, o presidente da cúpula de censores perguntou “qual o motivo da risada, posso saber?”   Um rapaz de seus 15 anos olhou pro pai, com certa pena, e respondeu: “basta vocês não acessarem o blog.  Basta usar o mouse e ir pra outra página...”  

Naquela hora parou o mundo.  Os censores se entreolharam e começou uma gigantesca briga de religiosos contra anarquistas, de machistas contra feministas, de hetero conta gays.  Depois de feministas em Cristo contra feministas esotéricas, casados que transam com homens contra solteiros que transam com casadas.  Alcoólicos anônimos contra mulheres que amam demais anônimas, noviças rebeldes contra prostitutas castas...

Drink conservador:
Para estimular a capacidade de amordaçar o pensamento livre:

1 copo de água
1 rivotril
1 laxante
1 prozac
Uma jaca
1 adesivo “Brasil, ame-o ou deixe-o”, da ditadura militar
Tome enquanto leia a biografia de Médici e o Manual dos Inquisidores