segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ENQUANTO ISSO NUMA INÍCIO DE VERÃO...



Com a falta de notícias interessantes na Paraíba, finalmente descobrimos que somos culpados pelo narcotráfico no Rio de Janeiro:  um dos chefões da máfia das drogas tem parentes aqui na Paraíba.

Todos irão assim se mobilizar para desbancar as máfias da Paraíba.  Uma chuva de notícias cobrirão esse vazio provocado pelo fim das baixarias nas eleições paraibanas. Vamos ver...

Lançado na Paraíba os novos IPAD e IPOD.  Os políticos fazem fila na porta de Ricardo Coutinho para beneficiar seus carentes familiares desempregados:  ipad emprego, ipad cargos, ipad comissões, ipad secretarias.  Do outro lado, os assessores de Ricardo se perguntam:  ipod contratar?  Ipod demitir?  Ipod governar assim?  Só Maranhão reclamou que neste natal o brinquedo que Papai Noel deixou pra ele veio errado: ipeg descendo...

Insatisfeito com a política atual, o quase ex-não-futuro-governador José Maranhão resolve leiloar os últimos cargos comissionados no Mercado Livre.  A sogra do meu vizinho cansada de fazer cabeça de galo pra ele, já se candidatou a merendeira de uma escola fechada em Manaíra.  Um outro quer ser porteiro do Centro de Convenções. Um estatístico desempregado concorreu a pesquisador eleitoral do sistema Correio.

Imitando os cariocas, vamos também queimar algumas drogas em João Pessoa:  as bandas de forró e de axé do fest verão, os locutores de fm com sotaque carioca, os discos de natal com cavaquinho, natal com Simone e os dvds de Roberto carlos com os sertanejos e as peruas da MPB.

Wikileaks da Paraíba:  plano mirabolante de invasão de João Pessoa por Campina Grande.  Laboratório de manipulação genética campinense cria bactérias transgênicas e soltam em João Pessoa no final do ano.  Elas invadem principalmente as zonas do litoral norte, praias de Cabedelo.  Possuem uma aparência esbranquiçada e adoram tomar sol de 8 da manhã até às 4 da tarde.  Nutridas pelo calor solar, já plenamente avermelhadas, migram em massa para os shoppings da cidade devorando tudo que houver por perto.  Antes que termine o dia, migram para restaurantes de comida japa-churrasco-massa-vale-tudo onde se alimentam de peixe cru com picanha e macarrão à bolonhesa acompanhado de coca cola e guaraná Kuait.

Drink para o início de verão:
1 copo de guaraná kuait (para os comuns)
1 copo de H2O sabores (para os metidos)
Tome entre um sushi frito com lasanha de charque


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ENQUANTO ISSO NUM HALLOWEEN DE COWBOY..




Quem poderia unir dois grupos tão diferentes como os cowboys e os gays?  Resposta:  ela, a Hebe pop sertaneja, Wanessa Camargo!

Neste último final de semana na capital, um grupo de megaempresários resolveu fundir (ou seria fuder?) dois grandes eventos em um só.  Juntar o halloween gay com a vaquejada.  Os planos foram feitos, o local foi arranjado.  A equipe de decoração, após longas reuniões com designers e decoradores finalmente chegou a um consenso.  Vacas cor de rosa, chifres pintados  com purpurina, cavalos com sela com franjinhas e arreios de frufru, chicotes com strass, botas e jaquetas de couro (nisso dá pra combinar sem alterar).

Às 23 horas os portões foram abertos.  Lá fora, antes de entrar, os grupos tentavam se entender.  Sapatas fazendo a linha “tô nem aí”, usando uniforme de camisão sobre uma camiseta, calça frouxa (pra simular o que não se tem mas se deseja ter) e tênis all star sujo. Sapatas dark, estilo “saga crepúsculo”, meio depressivas, meio espantadas. Sapinhas teen ao lado de bibinhas teen tomando refrigerante e tirando fotos pro Orkut. Bibas poor fashion desfilavam seus modelitos customizados pelas costureiras do bairro. Os gays higiênicos (aqueles que não se misturam com ninguém, não se acham gays e andam sempre de cara feia) passeavam com seus relógios falsificados, com suas roupas de grife compradas na 25 de março e seus tênis de marca comprados em 24 vezes nas sapatarias locais.  As pintosas pulavam mais do que as eguinhas pocotós que estavam num cercado ao lado. Vaqueiros tomando whisky paraguaio com red bull, carros com portamalas aberto com um som nas alturas. Garotas com cabelos longos, estirados, chapados, salto alto (em terreno sem calçamento é uma acrobacia), sempre retirando o cabelo da cara e jogando atrás da orelha (é um tique nervoso ou a tinta do cabelo tem esta programação?), segurando o copo de bebida dos seus namorados (elas às vezes funcionam como mesas portáteis).   Havia um grupo que se confundia:  as barbies.  Às vezes eram gays bombados com cabelos estilosos, roupas coladas e calças justíssimas; às vezes eram mocinhas de cabelos pintados, estirados, chapinha, sandálias de salto 18 e calças justíssimas; às vezes eram vaqueiros jovens, bombados, camisas apertadas, pulseiras, cabelos compridos e calças justíssimas.  Quando se misturavam, não dava pra saber quem era sapinha teen ou garotas porta-copos; gay higiênico ou vaqueiro fashion;  enfim todo mundo após umas e outras acaba se confundindo...

Wanessa Hebe pop sertaneja abriu o show com duas meninas fazendo uma performance de zumbis.  Olhos arregalados, gestos bruscos, cara de espanto.  Sem banda (é, a pobreza também atinge os sertanejos pop...), eis que entra a diva pop pós-gay loura hebe sertaneja numa mistura do clipe Thriller de Michael Jackson com Britney Spears drogada, cantando um super sucesso Não me leve a mal.  O público delirou. Chapéus voavam em meio a pulseiras de couro e glitter. 

Depois de vários copos a festa bombou geral.  Um vaqueiro confundiu sua noiva com uma drag de cabelos loiros, lisos e de chapinha tascando-lhe um beijo cinematográfico. Um gay higiênico fazendo carão chorava num canto por que foi abandonado por um cafuçu do interior  enquanto uma patricinha, cansada de ser ignorada pelo seu namoradinho (que já estava de olho num cara bombado) tentava o consolar enquanto segurava seu copo de coquetel de frutas sem álcool. Uma sapatona conquistou uma vaqueirinha de shopping depois de vencer uma queda de braço com o namorado dela.  Uma drag dava aulas de como andar de saltos em terrenos íngremes a um grupo de lourinhas pós-siliconadas. Um vaqueiro ensinava a um gay-barbie como segurar um boi pelo rabo enquanto o gay-barbie lhe ensinava como liberar este rabo (não o do boi, se é que vocês me entendem).  

Wanessa berrava:
Siga sua vida
Tudo vai tão bem pra você
Será que nem assim consegue me esquecer
Eu só te dei a mão, eu te chamei de irmão
Te pus na minha casa e dividi meu pão

Sei
Que traição no ser humano é uma fraqueza
Sei
Lutamos sempre contra nossa natureza
Mas que beleza
Deus, que perfeição
Judas e ajudas se completam na evolução

Vencer
Eu sei que todos vencerão
Uns entre amigos, outros na solidão
A sua antena tava fora de estação
Confundiu inveja com admiração

Siga o seu caminho
Não me leve a mal
Ooooohhhhh ...
Minha cabeça não é degrau
Não não não, não me leve a mal
Não não não, não me leve a mal
Não não não, minha cabeça não é degrau

Bem, depois desta filosofia profunda, só bebendo...

Drink cowboy gay:
Uma dose de whisky (pode ser cavalo branco, preto ou mestiço mesmo)
Acrescente um energético da moda
Misture com essência de groselha e enfeite com uma cereja

Drink gay cowboy:
Um copo de coquetel de frutas (pode ser as mais coloridas)
Uma dose de absinto (coisa chique, difícil de encontrar, mas pode ser substituído por whisky Johnnie Walker Pink)
Faça cara de abuso e chupe pelo canudinho

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ENQUANTO ISSO NUMA PÓS-DERROTA...



Visando ganhar o prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar 2014, Arnaldo Jabor convoca uma equipe de técnicos e atores para filmar a última parte da saga Crepúsculo – a sanha do apocalipse e o poder do Zé.  Eis o elenco escalado:
Vampiro TFP: Zé Serra
Mestre de Obras do World Trade Center: Zé Maranhão
Rata Catita: Papa Bento XVI
Guerrilheira do apocalipse: Dilma
Mago do Apocalipse: Ricardo Coutinho
Trilha sonora: E agora, José? interpretada por Vanusa
Roteiro: Diogo Mainardi e Regina (tenho medo) Duarte
Direção: Arnaldo Jabor
Apoio financeiro: UOL, Falha de São Paulo, Rede Bobo, Veja
Marketing: IBOPE
Divulgação local: sistema Correio

Roteiro:

Para combater as forças do catimbó apocalíptico numa pacata cidade do litoral da Paraíba, o clã do bem (pode ser DEM), liderado pelo vampiro Zé Serra resolve partir para a guerra santa armados com panfletos, fuxicos, cruzes, pec 300 (a arma letal) e cargos comissionados. Aconselhados pela Rata Catita direto do Vaticano, bispos, padres e pastores arregaçam batinas e paletós partem para a batalha final dos 300 de Gedeão.  Ainda decepcionado com o fracasso do seu último prédio, o World Trade Center, o mestre de obras  resolve abandonar o curso intensivo de oratória e se juntar com o exército da Rata Catita.

A Rata Catita organiza seus bispos e pede que eles parem de comer criancinhas (coisa de comunista e de Michael Jackson) e vão se aconselhar com a doutora psicóloga Mônica Serra, num minicurso “faça o que digo e não faça o meu aborto”.   O negócio agora era achar um casal de lésbicas que iriam fazer um aborto, mas desistiram para dar a criança para adoção a um casal de gays ex-maconheiros.  Depois disso, dizer que esse era o povo que apoiava o Mago e a Guerrilheira.  Para isso bastava contar com alguns jornais, uma rede de TV e com a simpatia do casal 45, William Bobo e Fátima Penada.

O clã dos vampiros se reúne na única cidadezinha paraibana a ter aeroporto para traçar os planos do combate.   Reunidos com o clã família-propriedade-religião-pátria-tradição, alguns dos mais tradicionais vampiros se apresentam:  Marco Maciel (vampiro de 2000 anos de Pernambuco);  Artur Virgílio (cruzamento de vampiro com índio do Amazonas); Tasso Jereissati (vampiro “quem tem culpa se eu posso ter jatinho e vocês não” do Ceará) e as vampiras Mônica Serra (abortei e joguei o feto no Chile), Míriam Porcão (urubulóloga do quanto pior melhor) e Dora Kramer (vampira socióloga metida a jornalista).

Depois de uma missa celebrada pela Rata Catita e culto ministrado pelo pastor Silas Malafaia, aeronaves de última geração partiriam do aeroporto internacional de Araruna e bombardeariam os redutos do Mago e da Guerrilheira com panfletos mortais apocalípticos.  Depois, através de um programa especial liderado por Hebe Botox Camargo e Faustão, com vinheta do hino nacional cantado por Vanusa, o mundo iria descobrir finalmente  que Eva traiu Adão por ouvir os conselhos de Lula (a serpente barbuda), do Mago (o cara do Girassol) e da Guerrilheira Dilma.  Ao mesmo tempo a revista Veja traria uma reportagem com Deus indignado por ter sido traído por uma mulher, uma serpente barbuda num campo de girassóis.
Lançamento:  1º de abril de 2011

Drinks apocalíticos:

Drink vampiro Zé Serra:
1 copo de vinho de missa
Tome depois de ser acertado por um míssil em forma de bolinha de papel

Drink mestre de obras:
1 copo de conhaque de alcatrão de São João da Barra
Tome antes de distribuir panfletos sobre a arte satânica

Drink Mago e Guerrilheira:
1 copo de felicidade
1 dose de resistência
1 colher de esperança
Beba todos os dias sem contraindicação

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ENQUANTO ISSO NUM BALAIO DE GATOS...


    
O CCHLA da UFPB é um centro muito eclético.  Cheio de cursos, alunos , professores, funcionários  e... gatos.  No último censo realizado pela FIBGE, o CCHLA contava com cerca de 897 gatos, distribuídos em salas, ambientes de professores, pátios, coordenações, cantinas e corredores.   


Numa luta pela sobrevivência, os gatos resolveram agora atacar as pessoas que costumam comer nas dependências do Centro.  Há notícias de ataques por um pedaço de coxinha, por uma banda de pastel, por um naco de brigadeiro.   Inconformados com a situação, parte da comunidade acadêmica resolveu pôr um fim a esta saga felina.  Vamos acabar com esta gataria aqui era a palavra de ordem. 


Parte dos professores de História foi chamada para, enfim, instruir as pessoas para o Grande Massacre de Gatos do CCHLA.   Depois de terem lido o livro de Roberto Darnton,  alguns professores de História,  Sociologia e Psicologia resolveram enforcar os gatos e pendurar suas cabeças nas esquinas do Centro.   Isto serviria de exemplo para que as pessoas deixassem de jogar sacos de gatos durante os finais de semana no CCHLA.


Houve um pandemônio.  A Sociedade dos Amantes dos Bichanos, responsável pela ração diária as bichinhos abandonados, denunciou o bando de facínoras  felídeos para a Polícia Federal.  O tumulto começou quando técnicos da zoonose recolhiam gatos para vender no mercado negro de churrasquinhos.


Minimizando o conflito, um grupo propôs uma campanha: adote um gatinho.  Cartazes, panfletos, campanhas e muita zoada para manter os gatos mijando, cagando, mordendo e transando nos corredores e salas de aula do CCHLA.  Por engano, um grupo de bruacas invadiu o CCHLA para adotar os gatinhos.  Quando descobriram que não eram rapazes, houve uma briga com a Sociedade Exterminadora de Felinos Indesejáveis.


Muitos grupos apareceram neste cenário de proteção ambiental. Um grupo de estudantes que organizam calouradas  propôs  encaminhar os bichanos para o Espetinho do Joca, especializado em filé miau. Alguns estudantes de biologia e medicina queriam os animais para as aulas de anatomia, pois comprar cadáveres no mercado negro estaria se tornando inviável.   A Sociedade Protetora dos Felinos Abandonados queria que os outros adotassem os gatos, mas nenhum deles jamais adotou um sequer.   Alguns estudantes mais radicais de movimentos sociais de vanguarda queriam soltar pitbulls para que uma limpeza étnica fosse feita.


Os marxistas alegaram que a culpa era do capitalismo que expropria os trabalhadores e os gatos no mercado de trabalho.  O PCO – Partido dos Correios – aproveitaram para denunciar que os sindicalistas pelegos transformavam seus gatos em animais de carga. Uns burgueses do PSDB acusaram Dilma de jogar os gatos não declarados pela Receita Federal no CCHLA.  As feministas reclamaram da campanha porque os cartazes só falavam em gatos e não em gatas.  As sapatões concordaram.  Alguns alunos e professores de música queriam apenas o couro dos bichanos para fazer instrumentos artesanais de percussão. Os ecologistas pregavam a criação de um curso especial sobre a importância dos gatos no controle de emissão de gases poluentes e na adubação natural dos jardins do CCHLA.  Os gays e as bruacas unidos clamavam por mais gatos em suas vidas.   As mulheres na política mais uma vez resolveram me processar porque eu insinuei que não havia gatas na política paraibana.  Alguns setores mais engajados pediam que os professores trocassem seus gatos por uma criança pobre.  Os evangélicos fizeram pouco caso, pois a bíblia revela que  gatos são coisas de bruxaria.  Queriam se unir com o povo do churrasquinho para fazer uma campanha pela fogueira santa de Jerusalém que queimaria os gatos de uma vez,  sob a custódia da Sociedade dos Amigos do Espetinho.  Houve até um grupo da nutrição que propôs implementar o cardápio do Restaurante Universitário...


Entre miados, protestos, chiliques e cartazes, os gatos continuaram a infectar o ambiente, cagando desesperadamente em todo lugar, transando nas salas e povoando o CCHLA de novos bichanos universitários.


Drink sugerido:

Uma garrafa de vinho chileno Gato Negro, para os cultos;

Uma garrafa de cachaça Gata Pelada, para os populares;

Tome acompanhado de um espetinho de filé miau...






quinta-feira, 29 de julho de 2010

ENQUANTO ISSO NUMA CÚPULA DE CENSURA

Líderes partidários, líderes religiosos, líderes comunitários, representantes de maiorias, latifundiários,  representantes de minorias, ex-presidiários, diretores de clubes de futebol, entre 876 entidades, reuniram-se em João Pessoa para decidir de uma vez por toda como censurar este blog e como exterminar o blogueiro.

A polêmica começou com o local.  Um religioso neopentecostal se irritou com um umbandista que propôs que o encontro fosse no Terreiro de Mão Joaninha.  Saíram às tapas, sendo acudidos por um budista que propôs uma meditação, levando já um murro de um católico que achou isto prática do diabo.  Os liberais democratas propuseram reeditar o AI-5, prender e torturar o blogueiro.  Os conservadores moderados discordaram da tortura, mas propuseram banimento para Paris. Houve um início de tumulto, pois os anarco-punks-revolucionários se disseram contra a tortura, enquanto  um deles esmurrou um socialista de direita, errando o soco num comunista cristão.  Um grupo de  heterossexuais se indignou com a participação de um grupo de gays e lésbicas, todos querendo censurar o blog.  Aos gritos de “viado e sapatão aqui não entra” chamaram um lutador de jiu-jitso  que marretou com vontade duas lésbicas e um gay bombado.  Dois bissexuais entraram na briga, quebrando uma cadeira nas costas de um corredor de vaqueijada e estapeando uma drag Queen que chutava uma travesti.  

As mais ofendidas, as mulheres, começaram a brigar porque as colunistas acharam que as feministas estavam debochando delas, usando celulares sem marca e carros populares.  As mais recatadas se retiraram da cúpula quando viram duas mocinhas se beijando. Começou uma briga feia quando uma militante propôs uma passeata, coisa que as mulheres fashionistas não aceitaram porque passeata é brega e não se pode ir às ruas de salto agulha. 
Acalmados os ânimos, resolveram então pensar em como censurar este blog tão nojento e pornográfico.  Alguns se levantaram e disseram não ser possível a censura ao livre pensar.  A confusão voltou com toda força. Uns propuseram rasgar o blog e foram vaiados pelos internautas 24h.  Outros  chegaram a propor uma passeata até o Pavilhão do Chá com PCs, notebooks e smartphones que seriam quebrados em protesto ao blog.  Alguns mais velhos, lembrando-se dos bons tempos da ditadura propuseram uma tarja preta no blog para que ninguém lesse ou que o blogueiro, a partir de agora, só publicasse posts que passassem pelos censores. Aí o pau comeu.  Quem seriam os censores?  Uns queriam censurar o português chulo, outros queriam censurar os termos de baixo calão, outros o conteúdo político, outros os drinks. 

Foi uma enorme briga sobre a moral. O consenso que ainda restava era: temos que censurar qualquer forma de riso deste gaiato.  Ele pode escrever o que quiser, mas nada de humor, nada que faça rir.  O consenso foi estabelecido.  Rir, daqui por diante, será proibido terminantemente.  Somos uma sociedade séria, um povo sério, um país sério. 
Lá no fundo da reunião, se ouve uma gargalhada forte.  Todos param, indignados.  Quem ousa rir e por que?  Era um grupo de jovens que estavam acompanhando seus pais censores.  A turba se voltou contra aquele grupinho de risonhos e, de dedo em riste, o presidente da cúpula de censores perguntou “qual o motivo da risada, posso saber?”   Um rapaz de seus 15 anos olhou pro pai, com certa pena, e respondeu: “basta vocês não acessarem o blog.  Basta usar o mouse e ir pra outra página...”  

Naquela hora parou o mundo.  Os censores se entreolharam e começou uma gigantesca briga de religiosos contra anarquistas, de machistas contra feministas, de hetero conta gays.  Depois de feministas em Cristo contra feministas esotéricas, casados que transam com homens contra solteiros que transam com casadas.  Alcoólicos anônimos contra mulheres que amam demais anônimas, noviças rebeldes contra prostitutas castas...

Drink conservador:
Para estimular a capacidade de amordaçar o pensamento livre:

1 copo de água
1 rivotril
1 laxante
1 prozac
Uma jaca
1 adesivo “Brasil, ame-o ou deixe-o”, da ditadura militar
Tome enquanto leia a biografia de Médici e o Manual dos Inquisidores