segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ENQUANTO ISSO NUMA PARADA GAY...

Apesar da síndrome de castração de João Pessoa (uma cidade que tem um aeroporto chamado Castro Pinto já diz tudo), o povo foi pra rua prestigiar a Parada Gay neste domingo.

Foram contratados cinco trio-elétricos para caber a faixa do evento: (MGLSTTDBLHSRSASBAAFU) Movimento de Gays, Lésbicas, Simpatizantes, Transsexuais, Travestis, Drags, Bibas, Lesbianas, Homoeróticos, Sapatões, Recém Saídos do Armário, Sapas, Bichinhas Ainda no Armário, Fechosas, Ursos e afins. Infelizmente só foram dois trios e a comunidade teve que se resumir ao GLS.

Antes da realização do evento, muitos debates acalorados foram feitos. A Associação dos Ursos reclamava que no trios só rolava os bombadões go-go-boys do Movimento dos Depilados ou então as Drags, todas também sem pelos. O Coletivo Maria do Rosário, de sapatões cristãs, alegava que as músicas que iriam rolar na parada estavam mais voltadas para o axé do Coletivo Obaluaê, de caminhoneiras carga pesada. Os meninos da Associação dos Povos Sem Bofe se estranharam com os bofes responsáveis pela segurança do evento, pois o Sindicato dos Go-go Boys de Bayeux queria receber uma grana antecipada para desfilarem acompanhados. Enfim, solucionados todas as pendengas, o impasse final aconteceu: quem seria a atração da Parada? As meninas do Movimento do Coturno Enlameado clamavam por uma banda cover de Bruno e Marrone. Os Gays Calcinha Cor-de-Rosa insistiam em chamar um clone de Leonardo. O Sindicato dos Ursos Lenhadores tentaram contatar Tony Ramos sem sucesso. O Coletivo Maria Tênis Grande, das sapatões ligadas em esporte, lutava pela presença da arremessadora de peso dos jogos de Pequim ou, na falta desta, por qualquer jogadora de futebol trajada com o uniforme da seleção brasileira.

Depois de muitos debates, com a parada organizada, a hora era de botar o bloco na rua. Apesar das igrejas anunciarem o Apocalipse, a concentração da parada bombava. Os organizadores deram por falta do Coletivo Ainda Dentro do Armário, que não vieram por razões óbvias. Outra ausência foi do Movimento “Eu Sou Gay Mas Só Quem Sabe é Meu Terapeuta” porque tiveram receio de surtar e soltar franga na multidão. Soube, de fonte segura, que muitos gays não foram por terem aderido a uma religião que prega a volta imediata ao armário, a cura dos pitis e a revolucionária droga reparadora de pregas perdidas.

Os gays “cabeça” ficaram contemplando o mar, a lua cheia ao som da bossa nova de um dos trios. Os mais atrevidos queriam pagode e axé pra remexer o esqueleto. Quando, por fim, a banda de axé (ou seria pagode, ou seria sertaneja, ou forró de plástico?) começou a tocar, houve um contágio geral. Um grupo de meninos do Coletivo Bichinhas Pão-com-Ovo, parecia que estava tirando um espírito de tanto rebolar e rodar. Até a Comunidade Pomba Gira, formada por muitos adeptos de várias opções sexuais, políticas e diferentes posições (estas que vocês estão pensando mesmo...) cismou com tanta performance. Alguns homens que não se acham gays, apesar da vizinhança, dos amigos, dos parentes e aderentes já saberem que são, passeavam pela orla com aquele olhar “24”, um olhar que não sabe se engole ou se cospe. Algumas drags pareciam ter saído de um casamento da high society, tamanha elegância e andar de modelo do terceiro mundo.

Mas a parada gay de João Pessoa é bem excêntrica mesmo. Em algum bar GLS chique, alguns gays mais higiênicos se recusaram a se misturar com a galera da parada. São um tipo de gay bastante hétero. Preconceituosos, nunca fizeram sexo como passivos, segundo eles mesmos dizem. São todos ativos, vestidos de grife e com uma carinha de bicha fenomenal que sempre faz carão pra quem quer que seja. Não se reconhecem e nem se sentem bem em locais tão populares quanto uma parada. Bebem socialmente refrigerantes, exibem seus celulares de última geração comprados em 24 meses na internet, mas soltam todas as frangas quando estão fora dos limites da cidade. Se jogam e se transformam naquilo que eles mais temem: pessoas livres que transam livremente, se permitem e se realizam nas paradas que a vida nos oferece.

Pra vocês o drink Parada Gay:

1 dose de vodka ou de cana

1 colher de Quick cor-de-rosa (ou na sua falta, qualquer essência rosa serve)

Mexa ao som do axé-brega e engula a mistura antes de cair na farra!


7 comentários:

Saulo Oliveira disse...

Gente, ano que vem eu vou... nem sabia que bombava tanto assim a parada aqui de ' Joaozinho '.



XD~


P.S: Texto maravilhoso como sempre. Raxei de rir, hahahahaha

Angie disse...

To rindo até agora! rsrsrsrs
Muito bommmmm!

Kimmy disse...

Muito bom!
hahahaha
.*

touch me' disse...

tive que comentar:

MUITO DIGNO
rindo muito até agora

lucho_uk disse...

Pow adriano, ainda naum tinha acessado teu novo blog, ahahaha, show de bola esse texo. valew homi, cheers!!!

Thi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
kew disse...

sou lesbica ,estou desempregada a um ano,estou sofrendo muito com isso,preciso de ajuda,preciso trabalhar.moro em joao pessoa,pb,meu telefone é (83)88963983.