segunda-feira, 10 de novembro de 2008

ENQUANTO ISSO NOS RESTAURANTES ASSALTADOS..

A moda entre a classe média de João Pessoa agora é ser assaltada em algum restaurante famoso.

Nas rodas dos novos ricos, a grande discussão é quem nunca foi assaltado. Hoje em dia isto é tido como falta de classe, pois só quem nunca foi assaltado é quem nunca vai aos melhores restaurantes. Numa destas revistas locais, distribuídas gratuitamente (pois se custasse 5 reais nem uma alma viva compraria), saiu inclusive um ranking dos restaurantes mais cobiçados pelos meliantes.

No Clube das Amantes do Vinho houve um quebra-pau, pois um informante do presídio do Róger avisou que um tal restaurante da orla iria ser assaltado, e as mulheres do clube brigaram ferozmente para saber quem iria conseguir uma mesa. Por outro lado, no Clube do Whisky do Irmão Raparigueiro, os homens debatiam como incentivar os assaltantes a levar não só os pertences mas também as suas mulheres nos assaltos. Talvez comprando jóias caras, com fechos complicados de abrir. Talvez passando para o nome delas todos os cartões de crédito com as respectivas senhas. Outras dicas de um viúvo que teve sua esposa seqüestrada e morta por bandidos foram: pintar o cabelo de louro (todas já fazem) pois os bandidos, como os jogadores de futebol e os novos ricos, adoram uma Marylin Monroe tupiniquim; pagar um plástica para que elas fiquem parecidas com Britney Spears (mas todas sempre ficam com a aparência de Dercy Gonçalves).

Os donos de restaurantes já contam com um serviço de simulação de assalto, curso de três dias com direito a couvert artístico pago a ex-presidiários que atuam como professores.

Há inclusive um curso oferecido por Carmem Mayrink Veiga, falida e mal-paga, para emergentes da capital de como enfrentar com classe os bandidos também emergentes. O curso inclui boas maneiras na hora que a vítima for abordada, como retirar os valores das bolsas sem derramar os copos, como chorar discretamente sem borrar a maquiagem, como manter a histeria com classe sem gritos e sem rasgar a roupa, dicas de se comportar como o machão protetor da esposa sem esboçar a satisfação num riso cínico, como se dirigir à delegacia e usar um bom português nas questões do B.O. Muitos novos ricos de João Pessoa criticaram o curso de Carmem, pois como ela está falida há muitos anos, a experiência com assaltos é quase nula.

Por outro lado, os assaltantes estão muito decepcionados com os roubos na capital. Muito trabalho por nada. A maioria das bolsas e carteiras são feitas de courine, compradas no Paraguai, no Saara ou na 25 de março. Há denúncias graves no sindicato dos assaltantes de restaurantes da orla que já encontraram inclusive artigos do próprio terceirão. Cartões de crédito estourados, contas bancárias sem saldo, cheques sem fundos, jóias levemente banhadas a ouro 14, celulares contrabandeados, uma lástima enfim. A maioria dos carros roubados é abandonada, depois que os assaltantes descobrem que são leasings com várias prestações em atraso.

Dizem as más línguas que haverá uma reunião com representantes dos emergentes e representantes dos assaltantes para regulamentar estas práticas. As perdas já atingem patamares alarmantes, piores do que os índices das bolsas de valores. Os novos ricos de João Pessoa precisam ter acesso a mais empréstimos a longo prazo urgentemente. Os bancos públicos já pensam numa linha de crédito só para manter a categoria dos assaltados e a honradez dos assaltantes. Salvem nossos novos ricos! Salvem nossos velhos pobres!

3 comentários:

Saulo Oliveira disse...

Gente, me acabo de ri com os seus textos. " atóron ". Muito bem escritos e com um ironia ó.


XD~


abração

Edson Vasconcelos disse...

Tenho uma outra sugestão de curso:

Vida bandida: vaidade, falência e cleptomania com Ronaldo Ésper.

izabellachaves disse...

Menino!como vc nao me mandou este blog antes?!Está ótimo!Continue destroçando!!!beijo