domingo, 12 de outubro de 2008

ENQUANTO ISSO NOUTRO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Cheguei pra dar minhas aulinhas na UFPB no dia 8 de março. Tudo tranqüilo, aulas preparadas, aquela coisa de sempre. Passando pela Praça da Alegria do CCHLA, eis que me deparo com um grupo enorme de mulheres, e também alguns homens que por ali circulavam, num ritual tribal de homenagem à Deusa Gaia.

Por entre um banco de feira que vendia saias indianas e outro que vendia saias feitas por uma comunidade de mulheres sem dedos do interior do Tocatins, um grupo de mulheres vestidas de saias indianas dançavam uma dança circular que ativava os hormônios femininos e conectava as dançantes à Deusa Gaia. À princípio eu pensei que era uma daquelas velhas e chatas homenagens à Lia de Itamaracá que todo pernambucano entoa a cada turista que chega por lá. Na verdade parecia uma ciranda, com a diferença que as mulheres dançavam com os olhos meio abuticados olhando para um ponto no centro da roda, que depois descobri ser um falo. Todas usavam logos cabelos e uns enfeites feitos de penas e sementes também vendidas por um índio que ouvia um ipod e não estava nem aí pras mulheres.

Um grupo de mulheres evangélicas discordando da homenagem à Deusa Gaia, começou a entoar um mantra de exorcismo, com uma pastora lendo um salmo em voz alta, num surto histérico. As pastoras de Davi, tentaram invadir o círculo e começaram a jogar sal grosso nas mulheres de Gaia. Um grupo de mulheres afrobrasileiras, ao perceberem que se tratava de sal grosso, se manifestou baixando várias entidades que iam desde um mãe de santo epilética até uma prostituta convertida. As mulheres militantes de Jeová, um grupo carismático, entoaram um grito de guerra e começaram a esbofetear tanto as mulheres de Gaia, quanto qualquer mulher que passasse por perto. Uma militante dos Direitos Humanos levou uma cabada de vassoura de uma funcionária da limpeza ao tentar defender o direito de bater e apanhar livremente e igualitariamente. Uma cantora lírica quase morreu eletrocutada quando uma militante da Deusa Gaia, tentando acabar com o conflito, derramou um balde com o elemento água, fazendo com que saísse do fio do microfone da cantora o elemento fogo que, em contato com o elemento ar quase colocou a cantora a sete palmos do elemento terra. Tudo foi resolvido quando uma xamã siberiana radicada em Bayeux soprou um apito mágico, fazendo com que todos os gatos famintos do CCHLA e redondezas atacassem as mulhers no Dia Internacional da Mulher. [continua]

contunuação

À noite, na face nobre da cidade, a Sociedade das Mulheres Amigas do Porre de Vinho – AMAPV - se reuniu com uma renomada colunista social da província para comemorar o 8 de março. O evento contaria com a fina flor da society pessoense. As lojas de aluguel de roupas não deram conta. Numa casa de recepções super brega, mas tida como chique, a reunião teve início. Após uma rodada de um vinho licoroso doce, de quinta categoria, foi proposta a exibição de um documentário em homenagem as rainhas do lar. Antes, porém, um cantor sexagenário, cantou a música Mamãe, mamãe, de Agnaldo Thimóteo, confundindo o dia 8 de março com o dia da mães. Passado o engano e iniciado o efeito do vinho, começou a exibição. O filme foi trazido por um motoboy para o evento. Sua incumbência era distribuir mais dois filmes para eventos similares: um para as senhoras do vinho, outro para as sapatões enfurecidas e o último para as velhinhas de um abrigo. Ao começar o filme, algo saiu errado. O motoboy trocou as encomendas e o filme e as senhoras amigas do vinho assistiram um documentário sobre kama sutra lésbico. Além das várias posições, o DVD sugeria o swing e o sado-masoquismo como forma de quebrar a rotina do casal. Abandonaram o vinho e passaram a cultuar o ponto G. As velhinhas do abrigo assistiram um filme sobre vinho e sexualidade e na mesma noite fugiram do abrigo e gastaram a metade da aposentaria numa boteco suspeito enchendo a cara de dreher, na falta de um branco seco. As lésbicas enfurecidas se converteram ao islamismo depois de assistirem a um documentário sobre o sexo na velhice.

Diante de tudo isso, fiquei impressionado com a força da mulher na sociedade atual, com seus três turnos diários de trabalho, com a carga educacional das crianças, com o cuidado com os pais idosos, os maridos de porre e os filhos tiranos. Ainda mais fiquei impressionado como estas próprias mulheres reproduzem este mesmo terrível sistema quando educam as meninas para a docilidade e os meninos pra guerra.

Drink 8 de março:

1 champagne Veuve Clicqcot

3 morangos partidos ao meio

Tome tudo, de preferência usando sua força feminina, com aquele par que você julgar o mais perfeito.

Um comentário:

jardins de coral disse...

De Mi, você é fantástico. Teu pensamento é uma verdadeira nmiríade (sabes o que é isso?KKK) de maravilhas minúsculas com que tu vais vendo o mundo e de tão generoso repartes com a gente. Tem poeminha novo no meu bloguinho tbém, visse? Te quiero, Sisith