segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ENQUANTO ISSO ENTRE OS ATIVISTAS PRÓ ANIMAIS...




Mary Shiva e Eduardo Gandi são ativistas pró-animais.  Distribuem ração para os gatos do CCHLA,  os quais eles recolhem nas ruas e jogam nos vários centros da UFPB.  Edu Gandi ganhou uma caminhoneta cabine dupla responsável pelo aumento da poluição no planeta e Mary Shiva só usa calçados de couro legítimo de jacaré papo-amarelo do Pantanal.
O jovem casal resolveu chamar os amigos ativistas para invadir uma indústria farmacêutica em Mangabeira, acusada de usar cães da raça Shytso para pesquisas com xampu.    Com a moda de cabelos chapados, a indústria estava testando um xampu que encaracola os cabelos nos pequenos cães. Via facebook, Carol Xucuri Gauiopé e Émerson Guarani Tupi Açu mandaram fazer faixas de plástico e tinta não biodegradável altamente poluente para um protesto em frente à indústria. Como eles iriam ficar a noite inteira em vigília, providenciaram chocolates suíços feitos com mão-de-obra escrava da Bahia e muita água mineral provinda de uma mina que devastou mais de 100 hectares de floresta nativa.
Os jovens ativistas, durante a vigília, passaram a consumir maconha comprada a meninos pobres de uma favela vizinha, mas com a garantia que era orgânica.   Misturaram com comprimidos de extasy trazidos na última viagem à Disney e quando a coisa bateu, decidiram invadir a indústria farmacêutica e soltar os pobres shytsos vítimas de maus tratos.  Arrobaram as portas enquanto filmavam tudo com seus iphones produzidos por semi-escravos de Taiwan e Coreia. Como os cães eram de uma raça cara, decidiram não jogar na UFPB e sim vender a maior parte em pet shops de ricos para arrecadar fundos em prol da sua nobre causa.
Uma menina do bairro que ia passando na hora da invasão, avisou ao grupo que havia outra fábrica de produtos farmacêuticos que usavam cães vira-latas nos seus experimentos.   O grupo fez uma rápida assembleia, mas decidiram não invadir esta outra indústria, uma vez que na falta de testes em bandidos, os vira-latas poderiam ser uma boa solução.
Mary Shiva chegou em casa descabelada com dois shytos.  Tirou a roupa suja e deixou jogada no banheiro para a empregada lavar no dia seguinte.  Os cães assustados sujaram toda a casa e a empregada teve que trabalhar além da conta para limpar toda a sujeira, embora a mãe de Mary já alertasse que não iria pagar hora extra, pois a empregada estava enrolando e se distraindo com os cães ao invés de limpar, lavar, aspirar, passar, cozinhar, lustrar e encerar. Mary Shiva acordou depois do meio dia, foi direto para o facebook e de lá gritou para a empregada trazer seu almoço no quarto.  A invasão foi um sucesso!
Edu Gandi, cansado da empreitada, deu um pulinho na rua da Areia para relaxar nos braços de alguma garota de programa.  Transou com uma menina pobre de 17 anos, mas não pagou porque só tinha cartão de crédito. Mas em troca, deu um shytso para a menina, a qual foi presa por roubo de animais.  Temendo represálias da polícia, jogou parte dos banners na via pública.  Bateu uma certa neurose, e Eduardo Gandi foi a um bairro pobre comprar mais maconha.  Como não tinha grana, trocou seus tênis de marca produzidos com mão-de-obra escrava, uma corrente de ouro obtido de garimpo ilegal que poluiu um rio com mercúrio, por meio quilo de marijuana.  O traficante viu um shytso no carro e ofereceu mais meio quilo da droga pelo animal recém libertado do cativeiro.  No dia seguinte, a filha do traficante foi espancada por policiais para confessar onde estavam os outros cães roubados na invasão.
Assim mais uma ação de sucesso foi feita pelo grupo que ama os animais sobre todas as coisas.  Assim, continuaram a morrer crianças escravas, meninos do tráfico, e outras pessoas inferiores aos belos cães de raça...

Drink ativismo pró-animal:
1 dose de whysky feito de centeio orgânico (cultivado por trabalhadores semi-escavos)
1  copo de água de côco (de coqueirais cultivados com adubos altamente poluentes)
Gelo à vontade (produzido por máquinas que usam gás freon, altamente corrosivo da camada de ozônio)

domingo, 2 de junho de 2013

ENQUANTO ISSO NUMA CORRIDA...



Marielly Cassimiro entrou de vez na onda correr e pedalar. Filha de um traficante de medicamentos, viu sua vida mudar rapidamente quando veio morar na capital. Acostumada a brincar num terreiro de barro batido, agora ela mora numa cobertura à beira-mar.  Mas ainda não entende porque as pessoas do prédio não falam com  ela e nem com sua família...

Mari arranjou uma amiga que é filha de um calunista social.  A menina aprendeu com o pai toda a arte da trambicagem do alpinismo social.  Esta arte consiste em sugar ao máximo a grana de novos ricos que almejam ser gente no meio social da cidade.  Luíra começou então  a dar aulas de etiqueta social a Marielly, agora conhecida como Mari.

A primeira aula era como entrar nas redes sociais.  Mari tinha Orkut, mas Luíra cancelou esta conta e fez um facebook  pra ela.  Juntas foram a um shopping comprar um iphone para que ela postasse as fotos no instagram.  Luíra não se fez de rogada e comprou um iphone 5 na conta da bobinha.  Mari queria ir a um filme 3D.  Comprou o ingresso para Luíra e foram.  As primeiras postagens do facebook de Mari foram fotos e mais fotos tiradas no cinema com os óculos 3D pra mandar pras amigas de Pau d´Alho.  Depois do cinema, pra fazer mais uma boquinha gratuita, Luíra levou  Mari pra um restaurante japonês.  Mari detestou.  Só pensava no cuscuz com carne de sol e inhame com graxa.  Achou muito estranho ter que comer com espetinhos de churrasco.  Achou muito mais estranho comer peixe cru.  Então, colocou  um monte de salmão, polvo, linguado e  atum no prato e levou para a sessão de massas.  Chegando lá pediu para que o cozinheiro assasse a peixada completa.  Misturou com macarrão, colocou molho à bolonhesa e misturou com uma picanha bem passada.  Achou bacana um restaurante com tanta variedade...   A dificuldade mesmo foi na hora de usar o hashi. Luíra estava comendo uma folha de alface e um sashimi por causa da dieta, usando um hashi amarrado com elástico.  Mari não entendeu nada.  Na terra dela,  pinça era feita de metal e não servia pra comer carne.  Ficou puta porque não conseguia pegar o macarrão com o hashi.  Por isso Luíra era tão magrinha, pensou.  Saiu do restaurante se tremendo de fome e se fartou num espetinho logo em frente ao famoso restaurante.

O sonho de Luíra era fazer um book em Londres para colocar nos outdoors da cidade.  Já tinha morado no Canadá onde trabalhava de copeira num hotel da periferia de Montreal.  Mas Mari tinha 17, como fazer um book de debutantes? Mas o pai de Luíra, famoso calunista social, inventou pra família de Mari  que era a última moda em Miami comemorar aniversário de pré-dezoito anos.  Mais sabido do que o calunista, seu Zeca de Cassimiro, de longa jornada na bandidagem,  não aceitou a proposta.

Mesmo assim, Luíra queria se dar bem com a grana de Mari.  Disse à menina que a moda agora era correr em maratonas e pedalar.  Na corrida, o lucro seria pequeno, mas no pedal...  Levou Mari a uma loja de bicicletas.  O dono da loja, conhecido por traficar peças do Paraguay, apresentou a Mari o que ele tinha de mais caro.  Mari queria uma caloi.  O vendedor fez um belo discurso sobre a bike (bicicleta é coisa de pobre da construção civil) importada, os arcos, os pneus, os freios, as marchas, o suporte para carro, as luvas, o capacete, o sapato, a roupa, os equipamentos para consertar pneus furados, os equipamentos de água, tudo...  Luíra combinou com o dono da loja racharem os lucros dos equipamentos comprados por Mari.  O rapaz enrolou Luíra e nunca pagou seus 10%.  Logo depois das compras foram para o Cabo Branco inaugurar a bike.  Mari se achou meio ridícula com aquela roupinha apertadinha e aquele capacete que mais parecia o ET de Alien, o oitavo passageiro.  Após 3 quedas e a completa invisibilidade, Mari desistiu do pedal.  Não entendi porque seu pai tinha que colar um adesivo de “Respeite o ciclista, distância de 1,5m”  se a maioria dos donos de caminhoneta atropelavam os ciclistas de bike sem grife, ou seja, os pobres que usam a bicicleta como meio de subsistência.
Descontente com a bike,  resolveu ingressar num seleto grupo de corredores.  A febre era corrida: corrida em Recife, meia maratona do Rio, maratoninha de São Paulo, corrida da melhor idade, corrida “Salve as Baleias”, corrida pelo fim da violência nas corridas...  Os corredores sempre se reuniam para comer numa lanchonete que só servia coisas detestáveis.  Todo mundo só falava num tal de açaí na tigela, um sorvete sem gosto de uma fruta sem gosto, comido com uma farofa sem gosto.  Ainda bem que tinha uma bananinha picada pra disfarçar. Fora uma comida chamada vegana.  Vários ciclistas adoravam comer um pastel tipo “bate entope” sem gosto de nada acompanhado de um suco energético que tinha gosto de capim moído.  Luíra comprou uns biscoitos orgânicos e distribuiu com a turma do pedal.  Mari comeu e achou o gosto parecido com móveis aglomerados de madeira prensada. Cadê a carne?  Cadê a graxa?  Nada ali tinha gosto de comida.  Até o bolo era feito com uma farinha de trigo integral, cheia de taliscas, com gosto de mofado.  E a conversa do povo?  Um tal de suplemento pra cá, de anabolizante pra lá.  Dietas à base de frutas exóticas,  chás revigorantes, potes de mais potes de proteína.   Luíra era mesmo de uma geração saúde, sem álcool, sem maconha, mas com anadrol, deca durabolin, equipoide e halostetin, às vezes  ritalina, verotil, fluoxetina e rivotril.   O importante é a saúde e não consumir drogas, carne vermelha e massa branca.

Drink atleta vegan:
½  litro de água orgânica
½ litro de água com cristais de gengibre
3 gostas de algum anabolizante qualquer
Agite bem e tome enquanto observa a bike importada do coleguinha de pedal


domingo, 24 de março de 2013

ENQUANTO ISSO UMA JORNALISTA MORALIZADORA.



Antonia Sheiroazedo é uma famosa jornalista.  Desde cedo aprendeu a chantagear o pai se fazendo de boa moça.  Morava no interior e vivia criticando suas amigas, apesar de não perder a chance de roubar o namorado alheio.  Rainha da fofoca, desenvolveu um vocabulário peçonhento que conquistava a todos pela sua ousadia verborrágica.

O pai, mesmo pobre,  cedeu as pressões da filha para manda-la estudar na capital.  Antonia Sheiroazedo já sabia o que queria:  jornalismo.  Desde cedo pensava numa profissão que pudesse exercer três grandes funções:  manipular, inventar e vender notícias verdadeiras e falsas.  Pensou também em Ciências Sociais por causa do presidente FHC e também em Direito.  Embora nenhum curso seja terrível como ela queria, qualquer um poderia ser usado para suas artimanhas. No dia da formatura, enquanto todos juravam coisas éticas da Comunicação Social, Antonia Sheirozedo só pensava em como ganhar dinheiro às custas dos babacas que acreditariam nas suas lições de moral.

Depois de formada, ela logo aprendeu a se locupletar das tetas da vaca do Governo.  Trabalhando num jornal, começou a arte da babação:  fez um curso com um calunista social.  Neste curso, ela aprendeu como se aproveitar de alpinistas sociais, novos ricos, mulheres fúteis, beldades botocadas, políticos decadentes.   Depois Antonia Sheirozedo foi trabalhar numa redação.  Escrevia bem a moça.  Mas ela descobriu que a babação não era a melhor forma de se dar bem.  Havia outra mais eficiente:  a invenção moralista.  Começou a escrever sobre corrupção dos políticos sem citar nomes.  Dois terços dos políticos locais vestiram a carapuça e começaram a chamar Antonia Sheirozedo para festinhas e bailes.  Os juízes também caíram na onda moralizante dela.  Foi contratada por uma instituição para falar bem dela. 

Logo que começou a chamar atenção foi contratada para a TV.  Foi aí que Antonia Sheirozedo ganhou os píncaros da fama.  Sua técnica consiste em fazer carão e falar grosso dando lição de moral enquanto apresenta a notícia. Apesar de tanta moralidade, manteve o emprego público, recebendo sem trabalhar...

A apresentadora escolhe a notícia e manipula, inventa e elabora um discurso bem moralista sobre o tema, na onda do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.   Sua tática consiste em pegar um tema polêmico e emitir uma opinião que agrade a uma parte da população que também não entende nada. Patrocina as causas conservadoras com seu discurso perfeitinho.  Une-se a liberais e conservadores na mesma proporção em que fala mal deles. Tentou ir ao carnaval da Bahia de graça e ninguém a aceitou.  Fez um editorial metendo pau no carnaval. Queria passar férias num resort sem pagar nada, não foi aceita, fez um editorial lascando o resort por questões ambientais.  Queria abatimento de 70% para ela e sua família num shopping, não conseguiu e fez uma matéria sobre as deficiências na segurança das lojas.  Usa cara feia, fala quase se esgoelando, arregalando os olhos. 

Parte de sua moralidade vem de chantagens. Aprendeu que o péssimo jornalismo consiste na manipulação de notícias mostradas de maneira “isenta” e “neutra”.  Com sua bravura, faz com que as pessoas não se importem em verificar a notícia, como ela foi produzida, onde está sendo veiculada.  Atualmente está conspirando com grupos religiosos, defendendo pastores fundamentalistas e se vingando de uma clínica que não aceitou fazer uma plástica facial total de graça.  Botox, cara feia, voz de gralha, moralidade e histeria são as categorias prediletas de Sheiroazedo.

Drink para assistir o jornal:
Qualquer bebida
Um mp3 no último volume ou a TV no mute

terça-feira, 2 de outubro de 2012

ENQUANTO ISSO NUMA CONFRARIA DE VINHOS...




Francisco Onório, mais conhecido como Chico de Penha era um homem simples.  Morava no triângulo da maconha em Pernambuco.  Enriqueceu da noite para o dia e resolveu morar em João Pessoa com a família. 

Chegando aqui, comprou apartamento de luxo no Altiplano Nobre (nome colocado no bairro para se diferenciar dos pobres que moram no conjunto habitacional que deu nome ao bairro), colocou as duas filhas em escolas que “a gente pagano as bichinha passa tudin e vão se formar”, segundo sua esposa Cleoneide Justa, e comprou uma caminhonete Lando Rover cabine dupla para passar por cima de pobre andando de bicicleta, bater em carro pequeno e atropelar motoqueiros. 

Conheceu muitos chiques quebrados, mas importantes.  Um deles resolveu convidar seu Chico de Penha para aulas de degustação de vinho, numa escola aberta recentemente na capital.  Tomar vinho por aqui é moda, mas você tem que pagar uma fortuna por um vinho que custa uma miséria em qualquer supermercado.  Ser chique por aqui é aparecer.   Seu Chico nunca gostou de vinho.  Quando era adolescente em Cabrobó, tomava uns garrafões de vinho doce quando sobrava dinheiro. Ele gostava mesmo era de cachaça.
No curso oferecido a alpinistas sociais e novos ricos, aprendia-se a degustar os diversos tipos de vinho e conhece-los pelo sabor e safra.  Também aprendia-se a combinar o vinho com diversos pratos.  Dona Cleoneide também se matriculou.   Depois de 15 dias de aulas, lá se foram os dois a um restaurante chique da capital com um grupo de amigos.  Dona Cleó já se afiliou à confraria das amigas do vinho.  Pagou uma fortuna, mas saiu num cantinho de página de um jornal de pouca circulação aqui da capital.  Seu Chico de Penha também se associou a uma confraria.  Aliás, confraria é coisa que não falta entre os famosos e ricos daqui de João Pessoa.   

Numa das noitadas da confraria dos amigos do vinho, foram a um restaurante super chique no qual se vendia uma garrafa de um vulgar tinto seco chileno por 87 reais.  Mas na adega do restaurante tinha vinhos até de 3 mil reais. Aqui não se toma vinho por qualidade ou por degustação, mas por preço.  Era a noite de estreia do casal de novos ricos. O garçom, metido a sommelier, abriu a garrafa e deu a rolha para seu Chico de Penha analisar.  Mas ele não tinha aprendido esta lição.  Olhou para a rolha, olhou para o garçom e deu uma vontade danada dele manda-lo colocar aquela rolha naquele canto...  O rapaz trouxe um pires para colocar a rolha. “É muita viadagem”, pensou seu Chico.  Depois o garçom serviu um gole de degustação a ele.  Agora sim, seu Chico de Penha teria como mostrar àqueles ricos que ele também sabia lidar com os complicados e dispensáveis rituais do vinho.  Ergueu o copo, colocou contra a luz.  Como tinha catarata, seu Chico de Penha não conseguia enxergar direito a cor daquela bebida.  “Acho que esta porra tá boa”, pensou.  Dizia o ritual nas aulas que além de ver a cor do vinho era preciso mexer um pouco para a bebida liberar seu buquê. Seu Chico rodou o copo pegando na haste e neste rodopio o vinho batizou todos na mesa.  O vestido de festa de dona Carminha Dantas ficou manchado.  Os óculos do doutor Juliano Pessoa ficaram pingando sangue.  O bigode do doutor Flávio Siqueira Cavalcanti Bezerra respingava de vinho, bem como a peruca da sua esposa.  A maquiagem pesada de dona Tetê  Costa Andrade Pedrosa (para qualquer nome horroroso, os ricos daqui inventam um apelido carinhoso, como nomes de cachorros) escorria na face à medida em que escorria o vinho.   Chegaram, rapidamente, cerca de 5 garçons para limpar a lambança.  Mas como era o casal novo rico que iria pagar a farra, todos riram e saudaram a atitude de seu Chico de Penha. 
Neste intervalo, o doutor Renato Freitas de Carvalho Sobrinho, chamou o sommelier e pediu que ele servisse vinho barato e cobrasse como se fosse um excelente vinho.  A confraria funciona assim através de propinas e comissões.
Tanto dona Ceoneide quanto seu Chico detestavam vinho.  Gostavam mesmo era de cachaça e de farra com muita comida.  Dona Cleoneide chegou a dar um pequeno piti quando colocou um pedaço de queijo gorgonzola na boca.  “Ei moço, venha aqui agora.  Comi um queijo cheio de mofo.  Que bodega é essa aqui???” reclamava a velha senhora.  A mesa toda ria da excentricidade do casal.   Lá para as tantas, ela já meio alta de tanto vinho barato, tentou se levantar sem sucesso. O doutor Pedro James, distinto e falido cavalheiro, ajudou a pobre mulher a se levantar da cadeira.  Ela levantou-se, sentiu o mundo rodar, e vomitou uma gosma vermelha  com pedacinhos de queijo e pão na tábua de frios importados no centro da mesa.  O vomitório foi geral.  Entre engasgos, dentaduras saltando, lentes de contato rolando, o ronco das pessoas vomitando tomou conta do restaurante inteiro.  Era uma catarse coletiva. Só podia ser um trabalho feito.  Um cheiro de vômito tomou conta do restaurante e outras pessoas começaram também a vomitar aspargos, sopas, batatas noisette, Mcdonalds, enfim um horror.  

No outro dia, numa famosa coluna social, fotos da tragédia foram publicadas por um calunista social com a seguinte frase:  “noite de gala em homenagem ao Halloween faz com que socialites de João Pessoa atuem como zumbis num famoso restaurante da capital.”

Como dizia Elis na canção de Rita Lee: “tá cada vez mais down no high society...”


Drink à base de vinho
1 garrafa de vinho doce
Maçãs picadas
Açúcar a gosto
Tome num copo de pé bem chique para que as pessoas pensem ser uma sangria catalã

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ENQUANTO ISSO NUMA ACADEMIA...



José Eleutério Neto sempre reclamou que era muito magrinho e que, por isso, nenhuma menina queria nada com ele. Resolveu entrar para uma academia e fazer musculação. 

Entrou na academia e foi recebido por Tony Boy, um instrutor que foi lhe dando as primeiras dicas. Novo rico, Neto queria se integrar na vida social da capital a todo custo.  Tony Boy o apresentou a uma sacoleira de grifes esportivas onde detonou a grana  do rapaz com bermudas, regatas, tênis, meias, tudo na grife falsificada.   Ele insistiu com o rapaz que naquela academia ninguém repete roupa porque só frequenta a elite da malhação.

Depois o rapaz foi comprar produtos para ganhar massa muscular através de um amigo de Tony Boy que vendia bombas anabolizantes para cavalos e touros.   Neto iria realmente bombar depois daquilo.

Na academia a preocupação de Neto era ser notado.  Mas ninguém falava com ele, tadinho.  As pessoas daquela academia pertenciam a um círculo fechado de atletas. Frequentavam o mesmo point de açaí na tigela, as mesmas lojas de suplementos, o mesmo sushi e a mesma churrascaria-sushi-massas-comida chinesa-teriaki-cup cake. Desprezavam os feios, magros, pobres, sem carro e sem grife. Estavam agora na última moda da capital:  bike.  Chama-se bike, bicicletas acima de 3 mil reais, nas quais atletas pedalam em bando pelas ruas da cidade escoltados pela polícia que mete o pau nos ciclistas pobres da construção civil. Usam roupas de grife, capacetes estilizados e participam de competições internacionais.  Neto teve que comprar uma bike usada por 9 mil reais par seguir o grupo da academia.

As meninas da academia malhavam pouco.  Ficavam na lanchonete discutindo dietas e comendo barrinhas sabor “móvel aglomerado”. A moda entre elas agora era malhar as pernas, estilo jogador de futebol.  Tomam bombas para as coxas, pois os peitos já foram bombados com silicone. A língua mais falada na academia é a fofoca. O esporte predileto é roubar o namorado da outra. Frequentam cursos caríssimos oferecidos pela academia como “bulimia sem culpa”, “anorexia, você ainda vai chegar lá”, “menos massa cerebral e mais glúteos”.  Tem também a moda pilates, mas todas pagam e poucas frequentam, pois aquilo lá é coisa da terceira idade, conforme opinião de Jully Kelly, professora histérica de aeróbica.  Umas optaram por aerobox e muai-thai, porque leram na Capricho que Hanna Montana e Adele tinham “secado” com o esporte. Adoram bike também, porque nos passeios sempre aparece um coroa mal casado que adota uma delas como amante em troca de roupas de grife e viagens clandestinas.  Nenhuma delas quis saber de Neto...

Na ala dos homens, Neto achou que iria ter mais receptividade. Ele estranhou muito os espelhos, mas o professor disse que fazia parte do negócio de malhação, juntamente com as bombas.  Neto queria malhar o peitoral, bíceps, tríceps e costas.  Bunda e pernas não, pois aquilo era coisa de viado. Havia muitos gritos na área de musculação.  Rapazes que levantavam toneladas e urravam no levantamento de peso.  Neto até pensou que estava numa área meio gay, pois muitos ficavam horas se olhando no espelho, alisando seus bíceps, quase se beijando.  Notou que quando um levantava mais peso do que o outro, mesmo sem se olharem, todos estavam se observando e tentavam a todo custo superar o inimigo. Neto viu muitos carinhas olhando pras malas dos outros, mas pensou que aquilo fazia parte do negócio de puxar ferro.  Havia um grupo de lutadores de jiu-jitsu que bateram num dos membros da equipe porque ele esboçou um sorriso para alguém na musculação. Outro grupo de rapazes discutia o efeito de um remédio na diminuição dos testículos e do pênis.  Segundo um deles, não havia problema, pois o que importava era o corpo sarado na praia e quem liga pra pau é viado, pois mulher curte mesmo é um carrão e um cartão de crédito.   Neto estava já desconfiado dos assuntos.  O negócio, segundo ele ouviu de um deles, era comer frango, tomar leitinho e fazer agachamento bem lento...  Curtiam também uma bike.  Ele gostou porque eram da geração saúde: nada de álcool, apenas anabolizantes.  Quase que Neto acabava com sua carreira de malhação, pois resolveu malhar glúteos, além de subir para a sala de aeróbica para fazer jumping. Descobriu que só havia dois rapazes na aeróbica, cujas amigas os apelidaram de Chuck e Noris. Teve que descer correndo e pegar um peso acima do que ele aguentava para reaver sua masculinidade quase corrompida.  Ninguém da ala da musculação falava com Neto...

Após 4 longos meses de musculação acompanhada de esteroides anabolizantes, dieta  forçada de suplementos, comprimidos para força, oxy elite, termogênicos e vitaminas diárias, o corpo de Neto agora estava definido.  Os caras da academia colocaram um apelido nele: Neto Coxinha.  Largo e forte da cintura pra cima e fino e fraco da cintura pra baixo.  Neto perdeu parte dos seus cabelos, estava com olheiras, um braço cresceu mais do que o outro, ficou sem dormir, brochou várias vezes, mas estava satisfeito por ter sido aceito na academia.  A condição básica da aceitação de Neto foi na verdade sua cabine dupla esportiva, seus churrascos para a galera que só entravam com a boca, as rodadas de sanduíches naturais, sucos energéticos e tigelas de açaí que ele teve que bancar para todos, além de gastos com viagens para a prática de bike.   

Conheceu uma gatinha anoréxica com síndrome de pânico e está namorando com ela.  Quase não transam pois ela anda muito fraca e assustada com tudo e ele sem tesão e com um testículo totalmente atrofiado. Neto chegou ao sucesso, enfim. 

Drink malhação:
1/2 copo de guaraná em pó
1/2 copo de suco de clorofila
1 dose de durabolim
2 comprimidos de termogênico
Bata tudo no liquidificador e tome antes do treino

domingo, 22 de abril de 2012

ENQUANTO ISSO NUM SHOW MAGNÍFICO...




Robertta Carlla é uma jovem promissora empresária emergente da classe C.  Compra em 12 vezes com seus 8 cartões de crédito, montou toda sua casa com a linha branca de eletrodomésticos, tem laje panorâmica com churrasqueira e fogão de 6 bocas para panelada nos finais de semana.  Está pensando até em contratar uma empregada doméstica porque agora seu negócio, um salão de beleza na comunidade, está bombando geral.  Robertta financia uma cantora gospel e ajuda um lar para cachorros abandonados, porque isto é a última moda no facebook.  Abandonou o Orkut há muito tempo porque agora o chique mesmo é o fêice, segundo as amigas que estudam com ela numa faculdade privada, onde estuda Direito pagando 199 reais a mensalidade.  

Deixou de ser católica porque fino mesmo agora é ser evangélica. Tem carro com adesivo “Foi Deus quem mim deu!” e “Não me inveje, trabalhe!”. Tem amigo gay, Reinny, porque toda emergente que se preze tem um conselheiro gay pra estaile e feshon. Abandonou as roupas da Emanuelle e agora só veste grife C&A ou Riachuello. 
Reinny foi chamado por Robertta Carlla para uma balada:  Abala Gospel Jampa.  Várias irmãs da igreja iriam.  Uma turma legal para ouvir a ungida Cassiane e Felipão e Banda no paredão de Jesus  

Quando Robertta falou que se tratava de uma balada, Reinny ficou excitadíssimo.  Passou a tarde no salão pranchando o cabelo e depilando a virilha, a louca. Chamou mais três bichinhas para fechar geral na balada, sem saber que se tratava de uma festa evangélica. Reinny, Mima, Luquinha e Hebert estavam prontos pra caçar bofes. Robertta marcou com ele dentro do estádio Ronaldão, local do show. Com ela, três piriguetes prontas pra louvação e...
Reinny e os amigos estranharam a balada.  Muitos héteros!  Robertta e as coleguinhas também estranharam a balada. Muitos casais!   O show começa com um funk do senhor: 



As amigas de Robertta se esbaldaram rebolando até o chão.  Os amigos de Reinny idem.  Perto do banheiro, as turmas se encontraram numa euforia só.    Foi então que todos combinaram um plano mirabolante:  roubar os namorados e maridos e convencer os héteros que beijar é coisa do senhor.  A estratégia consistia em imitar uma possessão por um encosto:  o encosto da boca louca. 

Reinny começou a rodar feito uma pomba gira e se deparou com um rapaz ajoelhado em oração.  Caiu de boca no rapaz numa cena hollywoodiana.  Os amigos aproveitaram a farra pra beijar os rapazes se dizendo encarnados pelas prostitutas do Antigo Testamento. Robertta Carlla ficou estrategicamente na porta do banheiro masculino esperando pelas alminhas crentes.  Uma de suas amigas trouxe bebida escondida que ela oferecia a eles como água do Rio Eufrates de Israel.  As amigas repetiram o feito tirando os caras do show direto pra pousada mais próxima, imitando Sodoma e Gomorra.

Mas no domingo a paz do senhor pairou sobre todas aquelas almas.  Reinny e seus amigos foram para a domingueira de um bar  bem carregado no Varadouro.  Robertta e as amigas foram para a igreja numa sessão de descarrego.  Os casados chegaram em casa dizendo que foram vítimas de satanás.  Os héteros beijadores voltaram a ligar para Reinny e seus amigos...

Drink sem álcool:
01 dose de cachaça sem álcool
01 dose de conhaque sem álcool
Complete com baré cola e enfeite com uma rodela de abacaxi do deserto de Israel